O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou na quinta-feira (24) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, busca o cargo para se proteger de investigações judiciais. A denúncia foi feita em uma rede social, após a Polícia Federal (PF) descobrir um registro de voo de Flávio Bolsonaro em um jatinho operado pela Prime You, empresa que teve entre seus sócios Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, atualmente preso por suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes.

Lindbergh Farias acusou o senador de querer ser presidente para “se blindar, acabar com investigações e ficar impune dos seus crimes!”. O deputado petista ainda declarou que Bolsonaro “Não vai conseguir. Será preso como Jair”. A PF encontrou as informações durante a extração de mensagens do celular do advogado Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão em investigação sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Investigações e ligações com o Banco Master

As suspeitas de fraude no INSS, que surgiram em 2022, durante o governo Bolsonaro, envolveram a alteração das regras do crédito consignado, o que possibilitou a criação do Credcesta. Essa modalidade de crédito contribuiu para a expansão do Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso por suspeita de organização criminosa e gestão fraudulenta. Uma das mudanças nas normas ocorreu apenas 16 dias após o INSS receber um ofício do Banco Master manifestando interesse em operar o cartão.

De acordo com reportagem, as modificações nas regras foram cruciais para a expansão da instituição financeira, investigada pela PF desde novembro de 2025 na Operação Compliance Zero. Com o Credcesta, o Banco Master ampliou sua atuação para 24 estados e 176 municípios. Os contratos saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, abrangendo servidores públicos, aposentados e beneficiários do BPC. Documentos do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o INSS e o Master indicaram que as alterações de 2022, sem detalhes sobre a operação, permitiram ao Credcesta operar de forma irregular. O ACT, em vigor entre 2020 e 2025, não foi renovado devido às suspeitas de fraudes. A defesa de Vorcaro afirmou que o Banco Master sempre seguiu as normas e procedimentos do INSS.

Flávio Bolsonaro e o financiamento de filme

Um dos escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro se refere ao financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador havia alegado que o dono do Banco Master havia interrompido, em maio de 2025, os pagamentos para o projeto. No entanto, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou um repasse de US$ 1.666.667, feito em 16 de setembro de 2025, pelo ex-banqueiro Havengate Development Fund (EUA), fundo que administrava recursos para a cinebiografia.

Segundo reportagem, o pagamento ocorreu meses depois do período citado por Flávio Bolsonaro e oito dias após ele enviar uma mensagem ao banqueiro cobrando parcelas atrasadas. Com essa transferência, o valor destinado por Vorcaro à produção passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, equivalente a mais de R$ 65 milhões na cotação da época. Investigadores apuram outra transferência que poderia ter elevado o montante para R$ 72 milhões.