247 – O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “laranja podre” neste sábado (5), após visitar o ex-assessor Filipe Martins na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, no Paraná.
“Porque hoje Alexandre de Moraes é uma laranja podre dentro do Supremo Tribunal. Não podemos deixar que todo o tribunal seja contaminado por isso, porque a magistratura, pessoas… Não é Alexandre de Moraes. Essa não é a regra”, declarou.
Presente no evento com Flávio Bolsonaro, Filipe Martins foi assessor do governo Jair Bolsonaro e cumpre pena sob responsabilidade de Moraes na execução penal. A autorização para a visita partiu do próprio ministro do Supremo.
Flávio Bolsonaro
O parlamentar criticou Moraes por causa da relação do magistrado com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por envolvimento em um esquema de fraudes financeiras. Mas Flávio Bolsonaro não explicou os detalhes dos contatos do senador com o ex-banqueiro.
O senador havia afirmado que o dono do Master interrompeu, em maio de 2025, os pagamentos destinados a ajudar no financiamento do longa Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro. Mas o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou um repasse de US$ 1.666.667 feito em 16 de setembro de 2025 pelo ex-banqueiro ao fundo norte-americano Havengate Development Fund. O fundo administrava recursos destinados à cinebiografia.
Segundo reportagem da revista Piauí, o pagamento ocorreu meses depois de maio de 2025, período citado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, como a data em que Vorcaro teria suspendido os repasses ao projeto.
A operação também teria ocorrido oito dias depois de Flávio Bolsonaro enviar mensagem ao banqueiro cobrando parcelas em atraso. Com a transferência identificada pelo Coaf, o valor destinado por Vorcaro à produção passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, montante equivalente a mais de R$ 65 milhões pela cotação daquele período.v
Alexandre de Moraes
Na última terça-feira (1), o ministro André Mendonça, do STF, tornou público material da PF sobre mensagens envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O magistrado não responde formalmente como investigado. Entre os principais pontos do material está o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF.
Outro elemento divulgado envolve cartões de crédito do Banco Master emitidos para filhos de Moraes, com limites de até R$ 300 mil. De acordo com as mensagens, o administrador do escritório Barci de Moraes solicitou os cartões diretamente a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O escritório confirmou que os cartões foram emitidos, mas afirmou que eles nunca foram usados.
Depois da decisão sobre o material produzido por policiais federais, Alexandre de Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios da PF que teriam apontado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Moraes tomou a decisão nesta quinta-feira (3), no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O ministro também levantou o sigilo da decisão e dos documentos citados, além de determinar que a PGR (Procuradoria-Geral da República) tome ciência do caso.
Após a iniciativa ligada à investigação de esquemas de notícias falsas, Mendonça enviou a Fachin um pedido de afastamento de Moraes em meio às repercussões do caso Master.






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