O Flamengo se posicionou nesta sexta-feira (25) contra a potencial proibição de casas de apostas no Brasil, alertando para os riscos aos investimentos já feitos no futebol e outras modalidades esportivas. Em nota, o clube criticou a intenção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de editar uma Medida Provisória (MP) para restringir ou impedir a operação das “bets” no país. O Rubro-Negro defendeu que a discussão envolve segurança jurídica e sugeriu mudanças na regulamentação, em vez de uma extinção completa do mercado legal.

O clube argumentou que não se pode criar uma regra, levar empresas a assumirem compromissos com base nela e, de repente, alterar todo o marco regulatório. O Flamengo reconheceu a necessidade de endurecer e aperfeiçoar as normas do setor, mas destacou que eventuais problemas devem ser resolvidos com fiscalização e punição para empresas que desrespeitem a lei. Para o clube, existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmantelá-la.

Impacto no esporte e na economia

Segundo o Flamengo, uma eventual proibição afetaria não apenas os grandes clubes de futebol, mas toda a estrutura financiada direta ou indiretamente pelo setor de apostas, “atingindo em cheio o esporte brasileiro”. O clube mencionou possíveis consequências para o futebol profissional, categorias de base, futebol feminino, esportes olímpicos e campeonatos, além de empregos, empresas de comunicação, marketing, tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços.

Atualmente, o Flamengo tem a Betano como patrocinadora máster, em um contrato que supera R$ 250 milhões. A proibição impactaria diretamente contratos comerciais, já que treze clubes da Série A mantêm acordos de patrocínio máster com empresas de apostas, estimando uma perda de quase R$ 1 bilhão apenas nesta receita. Os clubes também apontam efeitos indiretos nos direitos de transmissão, já que parte das receitas publicitárias das emissoras vem das casas de apostas, o que poderia reduzir a capacidade de investimento e as premiações dos torneios. O segmento de publicidade em estádios também seria afetado.

Apostas clandestinas e arrecadação pública

O Flamengo também argumentou que a proibição de empresas legalizadas não acabaria com as apostas clandestinas. Citando uma pesquisa do Instituto Locomotiva de maio de 2026, o clube indicou que entre 38% e 44% do dinheiro apostado online no Brasil já estaria em plataformas clandestinas. A estimativa para 2025 era de 41% a 51%. “O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar”, afirmou o clube.

O clube enfatizou os possíveis efeitos na arrecadação pública, visto que as empresas autorizadas pagam impostos. Para o Flamengo, o foco do poder público deveria ser no combate às plataformas ilegais e no aperfeiçoamento das regras de proteção aos apostadores, sem eliminar o mercado regulamentado. O Flamengo concluiu alertando para os efeitos econômicos: “O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.”