Filipe Bragança muda radicalmente de pele após interpretar Sidney Magal. Agora enfrenta o desafio de viver Amyr Klink em "100 Dias", filme dirigido por Carlos Saldanha que acompanha a histórica travessia do navegador pelo Atlântico Sul a bordo de um barco a remo. O longa chega aos cinemas em 29 de outubro.

A diferença entre os papéis interessou o ator de cara. Se antes precisou encontrar o exagero e a presença de palco do cantor, desta vez o desafio foi construir um personagem cercado pelo silêncio. Para Bragança, uma carreira com satisfação pessoal passa pela ideia de interpretar personagens pouco similares. "Quero poder interpretar personagens radicalmente diferentes. Não quero, enquanto ator, me encaixar em nenhum estereótipo. Minha vontade é contar histórias completamente diferentes entre si, explorando vários universos", afirma.

A preparação foi intensa. Bragança perdeu cerca de 10 kg e aprendeu a remar para se aproximar da aparência do navegador. Como o personagem passa grande parte do filme dentro do barco, a atividade se tornou essencial na atuação. "Estou remando por quase 90% do filme", conta. O livro "Cem Dias Entre Céu e Mar", escrito por Amyr Klink, foi fundamental. Através da escrita do navegador, Bragança conheceu não apenas os acontecimentos da viagem, mas também seus medos, ambições e rotina de quem passou meses sem contato com outras pessoas.

Aprovação do navegador

A transformação chamou atenção do próprio Amyr Klink. Inicialmente, o navegador desconfiava da escolha, especialmente pela associação anterior de Bragança com Sidney Magal. "Fiquei muito impressionado com a competência dramática dele... A doação do Felipe é impressionante", afirma Klink. Nas cenas em terra, o ator contracena com Felipe Camargo, Filipine, João Vitor e Marta, exigindo uma investigação emocional sobre quem era Amyr antes de se tornar o navegador conhecido pelo público.

Para o diretor Carlos Saldanha, conhecido por trabalhos de animação como "Rio" e "A Era do Gelo", esta era a oportunidade de realizar um longa de ação ao vivo no Brasil. O desafio era transformar uma experiência marcada por repetição, isolamento e silêncio em uma narrativa capaz de manter o espectador interessado. "Logo de cara, a gente fica pensando: 'Nossa, é só um cara remando no oceano'. Mas, na verdade, a história tinha muitas camadas", diz Saldanha. O projeto enfrentou problemas financeiros e a pandemia retardou a produção, mas o diretor nunca tirou o projeto da cabeça.