O pesquisador José Pedro Friedmann Angeli, 43 anos, ex-aluno da Universidade Estadual de Londrina (UEL), recebeu o Prêmio Alemão do Câncer 2026 pelas pesquisas sobre a ferroptose, um tipo de morte celular. O reconhecimento foi concedido pela Sociedade Alemã do Câncer e pela Fundação Alemã do Câncer, na categoria Pesquisa Experimental, dividido com o pesquisador Marcus Conrad.

Atualmente professor da University of Würzburg, na Alemanha, Friedmann Angeli trabalha com mecanismos fundamentais da biologia celular. O estudo sobre a regulação da ferroptose abre perspectivas para o desenvolvimento de novos tratamentos contra tumores resistentes a drogas. A pesquisa investiga o processo de morte celular que ocorre como consequência do dano oxidativo em lipídios das células.

"Como estrangeiro fico muito feliz. Quando eu saí do Brasil, nunca imaginei que a pesquisa que faríamos receberia tanta atenção, pois é resultado de um trabalho conjunto e reflete o esforço de muita gente", afirmou o pesquisador. Friedmann Angeli revelou surpresa com a indicação ao prêmio, especialmente porque a pesquisa está em fase preliminar. Segundo ele, a conquista dá visibilidade à área de biologia celular e reforça a importância de compreender os mecanismos de morte celular.

Formação e carreira acadêmica

O pesquisador londrinense concluiu Ciências Biológicas na UEL em 2005 e fez mestrado em Genética e Biologia Molecular também na instituição, em 2007. Atua como professor e pesquisador na Translational Cell Biology do Rudolf Virchow Center, na University of Würzburg, instituição fundada em 1.402 e localizada na Baviera, reconhecida mundialmente pela atuação em pesquisa.

A ferroptose desperta crescente interesse no meio científico como alternativa ao combate do crescimento tumoral e à resistência aos tratamentos oncológicos. As descobertas de Friedmann Angeli e seus colegas poderão, a longo prazo, auxiliar na elaboração de diferentes protocolos de tratamento contra o câncer.