Os Estados Unidos pediram à Justiça que mantenha Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro, presa em Nova York enquanto ela aguarda julgamento. A solicitação foi apresentada ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York.

Segundo os procuradores federais, a concessão de liberdade sob fiança representaria um risco “extremo” de fuga, e as restrições propostas pela defesa não bastariam para garantir que ela compareça ao tribunal. A promotoria também pediu que o juiz rejeite a transferência para uma residência particular.

Na argumentação, os procuradores citaram recursos financeiros, conexões internacionais e as acusações que pesam contra Flores. Eles também disseram que pessoas ligadas a ela ainda poderiam pressionar ou intimidar testemunhas na Venezuela e em outros países.

Pedido de prisão domiciliar

A defesa de Flores, de 69 anos, pediu no início de setembro que ela deixe o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn e aguarde o julgamento em prisão domiciliar. Entre as medidas propostas estão vigilância armada 24 horas, monitoramento por GPS, restrição de visitas e controle das ligações telefônicas.

Os advogados afirmam que o pedido foi motivado por problemas cardíacos da venezuelana. Eles dizem que ela precisa de acompanhamento médico e pode passar por um cateterismo cardíaco, o que exigiria cuidados fora da estrutura da unidade prisional.

Acusações e próximos passos

A defesa também relata que Flores tem prolapso da válvula mitral, já teve episódios de pressão no peito e falta de ar durante a custódia e perdeu peso desde janeiro. A equipe jurídica reconheceu que ela recebeu atendimento médico, mas sustenta que a prisão não oferece condições adequadas para eventual recuperação.

Flores e Maduro se declararam inocentes. O caso inclui acusações de conspiração para importar cocaína aos EUA e crimes relacionados à posse de metralhadoras e artefatos destrutivos. O juiz Alvin Hellerstein marcou para 8 de outubro a audiência sobre o pedido de prisão domiciliar, e o julgamento conjunto está previsto para 1º de junho de 2027, em Nova York.