247 – O governo de Donald Trump ampliou as sanções contra setores militar e de níquel de Cuba ao incluir oito entidades e três dirigentes cubanos em sua lista de bloqueios, além de advertir empresas e instituições financeiras estrangeiras sobre possíveis punições caso mantenham negócios com os alvos.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em uma publicação agressiva no X, e detalhada pelo Departamento de Estado. As medidas foram adotadas com base na Ordem Executiva 14404, assinada por Trump, que autoriza sanções contra pessoas e organizações ligadas a setores estratégicos da economia cubana.

Communist Cuba is a corrupt failed state and a persistent threat to U.S. national security, sitting less than 100 miles from American shores. While ordinary Cubans endure blackouts, food shortages, and brutality, regime elites continue to hoard the island’s resources for…— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) September 17, 2026

Rubio afirmou que Washington continuará pressionando organizações envolvidas na exploração dos recursos minerais da ilha e no desenvolvimento das capacidades das Forças Armadas cubanas.

“Cuba comunista é um Estado fracassado e corrupto e uma ameaça persistente à segurança nacional dos Estados Unidos, localizada a menos de 100 milhas da costa americana”, declarou o secretário de Estado.

“Enquanto os cubanos comuns enfrentam apagões, escassez de alimentos e brutalidade, as elites do regime continuam acumulando para si os recursos da ilha e sustentando o aparato repressivo de segurança de Cuba”, acrescentou.

Segundo Rubio, a nova rodada de sanções alcança 11 alvos, entre pessoas e organizações. “Os Estados Unidos continuarão expondo e sancionando aqueles que sustentam esse sistema. Hoje, estou sancionando outras 11 entidades e indivíduos envolvidos no desenvolvimento das capacidades militares de Cuba e na exploração de seu setor de mineração”, afirmou.

Empresas ligadas ao níquel são atingidas

Quatro organizações que atuam na cadeia cubana de níquel foram incluídas nas restrições: SERCONI, CEPRONIQUEL, CEDINIQ e Pinares S.A. As empresas prestam serviços tecnológicos, desenvolvem projetos de engenharia, realizam pesquisas industriais e conduzem levantamentos geológicos relacionados às reservas minerais do país.

A SERCONI fornece equipamentos e serviços técnicos à indústria de níquel. A CEPRONIQUEL participa da elaboração de projetos e da coordenação de operações de extração mineral. A CEDINIQ trabalha com pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial, enquanto a Pinares S.A. atua na prospecção geológica.

Na justificativa apresentada para as sanções, o Departamento de Estado afirmou que o níquel constitui uma fonte relevante de divisas para o governo cubano. Washington acusa as autoridades da ilha de direcionar os recursos obtidos com a atividade mineral à manutenção do aparato estatal e de segurança.

Centros militares e dirigentes entram na lista

A ofensiva também alcança quatro organizações de pesquisa e desenvolvimento vinculadas às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba: SIMPRO, CIDNAV, CIDAI e GELCOM.

A SIMPRO desenvolve e fabrica simuladores usados no treinamento militar. O CIDNAV realiza pesquisas para a Marinha Revolucionária, enquanto o CIDAI trabalha no desenvolvimento, na aquisição, na modernização e na avaliação de armamentos de infantaria. A GELCOM produz equipamentos eletrônicos e sistemas de comunicação.

Três dirigentes dessas instituições foram sancionados individualmente: Joaquín Francisco Cancio Monteagudo, diretor-geral da SIMPRO; Dioglis Pedrera Argüello, diretor-geral do CIDNAV; e Julio Hurtado Betancourt, diretor-geral do CIDAI.

Cancio Monteagudo e Hurtado Betancourt são identificados pelo governo norte-americano como coronéis das Forças Armadas cubanas. Pedrera Argüello ocupa a patente de capitão.

Ativos são bloqueados

As medidas determinam o bloqueio de bens e participações dos sancionados que estejam nos Estados Unidos ou sob o controle de cidadãos e empresas norte-americanas. Esses ativos também devem ser comunicados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, vinculado ao Departamento do Tesouro.

As restrições alcançam ainda organizações que sejam controladas, direta ou indiretamente, em 50% ou mais por uma ou várias pessoas incluídas na lista de sanções.

O governo Trump advertiu que cidadãos estrangeiros envolvidos em transações com os alvos da Ordem Executiva 14404 também podem ficar sujeitos a medidas punitivas. A recomendação alcança bancos e outras instituições financeiras internacionais que processem pagamentos, movimentem recursos ou facilitem operações em benefício dos sancionados.

A ordem executiva utilizada na decisão autoriza Washington a bloquear pessoas e empresas que operem em setores como defesa, energia, mineração, metais, serviços financeiros e segurança em Cuba. A norma também permite atingir organizações consideradas controladas por pessoas já sancionadas.

A inclusão dos novos nomes aprofunda a política de pressão econômica do governo Trump sobre Havana. Nos últimos meses, os Estados Unidos já haviam adotado restrições contra empresas estatais, instituições financeiras, organizações ligadas às Forças Armadas e integrantes da estrutura governamental cubana.