Empresas de apostas esportivas, como Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte, notificaram emissoras de televisão como Globo, Band e RedeTV!, além de clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, sobre a possível rescisão de contratos. O alerta surge diante da chance de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva impor novas restrições ou até mesmo proibir a atuação das bets no Brasil. A movimentação ocorre enquanto o governo debate medidas para o setor, com um anúncio previsto para esta sexta-feira (25) em São Paulo.

O setor de apostas tem se consolidado como uma fonte significativa de receita para a televisão aberta e para o futebol. Apenas em agosto, as empresas de apostas investiram R$ 153 milhões em publicidade e cotas de patrocínio na TV, de acordo com dados da Tunad. Diante da ameaça de perda desses recursos, as áreas comerciais das emissoras já buscam alternativas. A Record, por exemplo, não renovou o patrocínio da Betano para o reality 'A Fazenda', parceria que existia desde 2021. Na Band, são analisados os contratos de naming rights de programas como 'Jogo Aberto' e 'Os Donos da Bola', que dependem de empresas do segmento.

Impacto no Futebol Brasileiro

A possível proibição das bets também causa preocupação no cenário do futebol nacional. Clubes brasileiros foram notificados sobre a possibilidade de encerramento imediato de patrocínios se o governo implementar medidas que inviabilizem as operações. Em 2025, os patrocínios de empresas de apostas aos clubes da Série A atingiram cerca de R$ 1,03 bilhão, um crescimento de 66% em relação aos R$ 618 milhões registrados no ano anterior, conforme levantamento da consultoria Convocados.

Um dos exemplos mais notáveis é o Flamengo, que tem um dos maiores acordos do futebol brasileiro com uma casa de apostas. O clube recebe atualmente R$ 268,5 milhões por ano da Betano, em um contrato com duração de três anos e quatro meses. A interrupção desses aportes financeiros poderia gerar um impacto substancial nas finanças das equipes.

Enquanto emissoras e clubes acompanham de perto os desdobramentos, o governo avalia as próximas etapas. Representantes da Casa Civil e dos Ministérios da Fazenda e da Justiça se reuniram na terça-feira (22) para discutir o combate a plataformas ilegais e possíveis alterações nas regras do setor. Embora não haja uma decisão oficial sobre uma proibição geral, o presidente Lula tem defendido medidas mais rigorosas e expressado disposição para acabar com as apostas.