Emendas parlamentares do senador foram destinadas a empresas e entidades que são alvo de investigações da Polícia Federal por suspeita de cartel, de uma ONG considerada “inexistente” pela Receita Federal e investigada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), além de um instituto indicado por um miliciano.
Desde 2020, mais de R$ 300 milhões foram reservados para as emendas do senador no orçamento federal. O rastreamento dessas verbas revelou as empresas e entidades contratadas pelos órgãos públicos que receberam o dinheiro.
Em 2024, R$ 3,1 milhões foram destinados à atenção básica de saúde de Mesquita (RJ). Desse valor, R$ 666 mil foram pagos ao Instituto de Medicina e Projeto (IMP) em agosto de 2025. O IMP foi enquadrado pela Receita Federal na categoria “inexistente de fato” em junho deste ano, com indícios de fraude fiscal. O TCE-RJ investiga a entidade desde 2024. A Prefeitura de Mesquita chegou a decretar a inidoneidade do IMP por dois anos e determinou a devolução de R$ 32 milhões pelo ex-prefeito, ex-secretário de saúde e o instituto, por irregularidades na contratação e taxa de lucro indevida.
Emendas do senador também foram utilizadas para custear despesas do Governo do Rio de Janeiro com empresas sob investigação da Polícia Federal por suposta fraude em licitações, relacionadas à compra de equipamentos de proteção balística para a Polícia Militar do Rio. A Glágio do Brasil recebeu R$ 569 mil e a Inbra-Tecnologia R$ 1,1 milhão. Ambas as empresas foram alvos da Operação Perfídia, em setembro de 2023, que investiga a divisão de contratos públicos de proteção balística.
Outras destinações de emendas do senador também foram alvo de questionamentos. Uma emenda de R$ 4 milhões para um projeto esportivo ligado ao Vasco da Gama, em 2025, está na mira da Controladoria Geral da União (CGU) devido a pagamentos de R$ 684 mil para uma microempresa individual em São Paulo. Além disso, R$ 200 mil foram destinados ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP) para um projeto esportivo em Taquara, no Rio, com indícios de irregularidades e envolvimento de um miliciano.
Em relação às emendas parlamentares, o senador afirmou que não indica as empresas que receberão os valores enviados por ele aos beneficiários. Segundo ele, a atuação do gabinete se limita às atribuições institucionais de indicação das emendas. A Prefeitura de Mesquita informou que rescindiu contratos com o IMP, aplicou multa de R$ 3 milhões e declarou a entidade inidônea por dois anos, encaminhando o caso ao Ministério Público.







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