A Fifa respondeu em duas frentes às pressões da Uefa após o fracasso da tentativa de privatização. O presidente Gianni Infantino enviou uma carta diplomática às confederações continentais sinalizando abertura para usar parte das reservas bilionárias da entidade e rebateu agressivamente um processo judicial movido pela confederação europeia nos Estados Unidos.
Na resposta às acusações, Infantino apontou que a Uefa, comandada por Aleksander Ceferin, conduz uma "campanha de desinformação" e adotou medidas judiciais "de má-fé e com o objetivo de assediar". A Fifa classificou a petição da Uefa como contendo "inúmeras declarações falsas ou enganosas" e negou acusações de que o presidente buscou benefício pessoal na proposta da FFE, empresa que administraria direitos comerciais de competições como a Copa do Mundo.
Na carta aos presidentes das seis confederações continentais, Infantino mostrou-se disposto a usar parte do fundo da Fifa para irrigar as 211 federações nacionais, uma demanda especialmente reiterada por Ceferin e por Victor Montagliani, presidente da Concacaf. Ambos coassinaram pedido para que a entidade utilizasse cerca de US$ 2,1 bilhões de suas reservas de aproximadamente US$ 6 bilhões. Infantino instruiu o secretário-geral Mattias Grafström a compilar as propostas para deliberação na reunião do Conselho em 15 de outubro, mas não se comprometeu com um valor específico.
Crise da privatização
A Fifa ainda enfrenta turbulência causada pela proposta de criação da FFE, anunciada em 28 de julho. O plano projetava que a empresa seria avaliada em US$ 20 bilhões, com venda de 20% a investidores privados. A reação negativa levou ao aborto oficial do projeto na sexta-feira daquela semana. Diversas federações relevantes, como as da Inglaterra e França, retiraram apoio, enquanto Ásia, Uefa e Concacaf manifestaram forte oposição.Ceferin consolidou-se como principal opositor de Infantino, embora tenha já avisado que não concorrerá à presidência da Fifa. Nesta terça-feira (29), o presidente da Uefa intensificou os ataques, afirmando que "o rei está nu" em apresentação na Assembleia Geral de Clubes Europeus. Ceferin utilizou referência ao conto "A Nova Roupa do Rei", de Hans Christian Andersen, para criticar a situação: "Vender parte do futuro do futebol não se transforma em desenvolvimento só porque você diz que é desenvolvimento."
Infantino conta com apoio suficiente para buscar reeleição em março, quando estão marcadas as eleições presidenciais da Fifa. O prazo para inscrições de candidatos encerra em 18 de novembro. Até agora, nenhuma outra candidatura foi anunciada. No sistema de votação da Fifa, cada uma das 211 associações nacionais tem o mesmo peso, e o presidente investe recursos significativos nas federações menores para assegurar apoio.







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