Eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos, Eduarda Campopiano (PL) se declara antifeminista e afirma que o feminicídio “não existe”. Aos 23 anos, a parlamentar também é contra o aborto e a criminalização da misoginia, e pretende atuar na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para dificultar o acesso ao aborto e combater propostas ligadas ao feminismo.
Campopiano foi a candidata a deputada estadual mais votada de São Paulo, conquistando a segunda maior votação da história para uma cadeira na Alesp. Em 2024, ela foi eleita vereadora de Praia Grande com 3.583 votos. Dois anos depois, o número de eleitores cresceu e a levou à Assembleia Legislativa.
A oposição ao feminismo é central no discurso político de Campopiano, que já se apresentou como “a maior inimiga das feministas de São Paulo”. Durante um debate sobre a criminalização da misoginia, ela declarou: “Eu não acho que feminicídio seja algo que exista”. A parlamentar defende que crimes do tipo sejam tratados como passionais, embora seja favorável a agravantes quando um homem usa sua força física para agredir uma mulher. O feminicídio é uma categoria prevista na legislação brasileira para homicídios de mulheres motivados por violência doméstica, familiar, menosprezo ou discriminação.
A deputada eleita também rejeita a ideia de que conquistas femininas sejam atribuídas ao movimento. “Todo mérito que qualquer mulher conquista, as feministas tentam usurpar para elas. Eu discordo disso, eu acredito que o mérito é individual”, afirmou. Outra pauta de Campopiano é a defesa da vida desde a concepção, com o objetivo de que mulheres desistam de interromper uma gravidez.
As declarações de Campopiano sobre o feminicídio repercutiram após as eleições. A jornalista Adriana Araújo, da BandNews FM, emocionou-se ao comentar as posições da parlamentar, classificando-as como “gravíssimas” e argumentando que o discurso ignora a realidade das vítimas de violência contra a mulher.
Maria Eduarda Campopiano Monteiro, nascida em Campinas em 22 de julho de 2003, iniciou sua produção de conteúdo político nas redes sociais aos 18 anos. Antes de ser eleita vereadora de Praia Grande em 2024, participou de programas de debate. Sua projeção nacional se deu principalmente pelas redes sociais, com conteúdo voltado ao público conservador, abordando feminismo, aborto, gênero, segurança pública e costumes.







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