O dólar registrou alta nesta quarta-feira (14), impulsionado pela cautela dos investidores em relação às incertezas do cenário eleitoral brasileiro e à espera de uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. No exterior, os dados de inflação dos Estados Unidos também contribuíram para a movimentação do mercado, com reflexos nas expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed).

Por volta das 14h40, a moeda americana subia 0,22%, sendo cotada a R$ 5,034. A Bolsa de Valores, no mesmo período, recuava 0,01%, atingindo 206.893 pontos, com variações entre os setores: ações de bancos registraram queda, enquanto papéis da Petrobras apresentaram alta.

A inflação nos Estados Unidos, medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI), subiu 0,6% em setembro, após alta de 0,4% em agosto. No acumulado de 12 meses, a inflação acelerou para 3,7%, superando a projeção de 3,6%. O aumento foi puxado principalmente pela gasolina, que teve alta de 7,1% em setembro. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% em setembro, elevando o acumulado de 12 meses para 2,6%.

Vitor Kayo, economista sênior na Nomad, destacou que o núcleo da inflação acima do esperado e a aceleração em 12 meses “jogam lenha na fogueira da preocupação com a inflação, que segue distante da meta de 2%”. Para Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, o resultado indica que a inflação nos EUA está mais persistente do que o esperado, o que pode abrir o debate para possíveis aumentos de juros pelo Fed, apesar de não garantir uma alta imediata na decisão de outubro. A probabilidade de manutenção da taxa de juros na reunião de 28 de outubro caiu de 77,86% para 50,7% após a divulgação do CPI, segundo a ferramenta FedWatch.

Cenário doméstico e pesquisa eleitoral

No Brasil, a atenção dos investidores se voltou para a divulgação da primeira pesquisa Quaest sobre o segundo turno da eleição presidencial, esperada para depois do fechamento do pregão. O levantamento, previsto para as 18h, deve trazer novos dados sobre a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula.

Outro ponto de destaque no cenário doméstico foi a possível aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado. A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e duas folgas semanais estava em votação no plenário. Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, explicou que a medida pode impactar setores como varejo, supermercados, restaurantes e hotelaria, que podem precisar contratar mais funcionários ou absorver custos adicionais, o que reduziria as margens de lucro.