A seleção brasileira de futebol encerrou sua participação na Copa do Mundo de 2026 com uma derrota para a Noruega nas oitavas de final. O revés por 2 a 0, após um pênalti perdido e um gol que remeteu a eliminações anteriores, deixou a equipe fora do torneio de forma precoce, configurando a pior campanha do Brasil em Copas desde 1990. A partida gerou intensos debates entre torcedores, jornalistas e ex-jogadores sobre as decisões tomadas pela comissão técnica e o futuro do futebol brasileiro.

Apesar da eliminação, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu manter o técnico Carlo Ancelotti, cujo contrato foi renovado antes mesmo da competição. O treinador italiano terá a responsabilidade de iniciar um novo ciclo de quatro anos, visando a Copa do Mundo de 2030, com a missão de renovar a equipe e afastar jogadores que não se encaixam mais nos planos da seleção, incluindo um ex-craque. A decisão de Ancelotti de convocar atletas experientes para a Copa de 2026, incluindo 15 remanescentes de 2022 e sete em sua terceira participação, foi questionada após o resultado.

Caminhos Diferentes: Brasil, México e Uruguai

A situação do Brasil, segundo análises, posiciona-se entre a do Uruguai e a do México no cenário pós-Copa. O Uruguai, sob o comando de Marcelo Bielsa, enfrentou uma série de conflitos internos, culminando em um motim de jogadores e desavenças com a estrela Luis Suárez. A passagem de Bielsa não trouxe os resultados esperados, e a seleção charrua amargou uma das piores participações de sua história, com um futuro incerto. Já o México, que sediou parte da Copa de 2026, optou por Javier Aguirre, visando uma transição que será liderada por Rafa Márquez.

Apesar de ser um grande exportador de talentos, o Brasil, que entre 2017 e 2022 teve o maior número de jogadores expatriados, carece de uma estratégia clara para desenvolver certas posições. Nos últimos anos, as categorias de base focaram na formação de pontas, volantes e zagueiros, negligenciando atacantes de área, meias de criação, laterais e goleiros, o que se reflete na seleção principal. A busca por um modelo de formação mais completo e abrangente é vista como fundamental para o sucesso futuro.

Inspiração Francesa e Desafios da CBF

A CBF demonstrou interesse no modelo de formação de jogadores da França, que após anos de campanhas decepcionantes, investiu em centros de treinamento como Clairefontaine. Criado em 1988, o centro buscou unificar a lapidação de jovens talentos, com foco em habilidades técnicas e mentais. Embora a ascensão não tenha sido imediata, a França se tornou campeã mundial em 1998 e obteve sucesso consistente no século 21, alcançando três finais de Copa do Mundo, enquanto o Brasil não chega às semifinais desde 2002. A ironia reside no fato de Clairefontaine ter formado craques como Mbappé, Pogba e Henry.

A desconexão da CBF com os torcedores, a pressão por parte de figuras externas e a manutenção de jogadores com desempenho questionável são apontadas como obstáculos para a renovação. A próxima gestão de Carlo Ancelotti e da CBF precisará enfrentar esses desafios para reerguer a seleção brasileira e garantir um futuro mais promissor para o futebol nacional, aprendendo com os erros do passado e buscando inspiração em modelos de sucesso.