247 – A crise instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a Polícia Federal (PF) passou a afetar diretamente o andamento de investigações estratégicas conduzidas pela corporação. Integrantes da PF relataram que delegados à frente de inquéritos sob a relatoria do ministro André Mendonça — entre os quais o caso Master e as apurações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — passaram a manifestar a intenção de deixar o comando dos trabalhos, informa Bela Megale, do jornal O Globo.

O clima entre os investigadores e o magistrado deteriorou-se após o ministro André Mendonça determinar o afastamento do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Na avaliação de delegados, Mendonça tem deixado de lado aspectos centrais das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e os desvios no INSS para concentrar esforços em pautas com potencial de impacto no cenário eleitoral.

Uma ala da Polícia Federal crítica à atuação do relator o acusa de direcionar os trabalhos e os recursos da corporação para apurações de interesse pessoal. De acordo com os investigadores, as equipes de apuração são levadas a abandonar os focos principais dos casos para atender a iniciativas paralelas ordenadas pelo ministro.

A postura de indisposição assumida por Andrei Rodrigues em relação a André Mendonça ocorreu para atender às insatisfações demonstradas pelos próprios investigadores da instituição. Os policiais relataram episódios de interferência direta do ministro relator em atribuições e prerrogativas operacionais da PF.

Entre as determinações de Mendonça mais criticadas pela corporação está a ordem para que qualquer eventual afastamento de policiais das equipes de investigação seja comunicado previamente a seu gabinete. O ministro também exigiu a transferência de todos os dados brutos das apurações sobre fraudes no INSS para a sua assessoria. Outro ponto constante de insatisfação envolve a morosidade do magistrado para despachar solicitações apresentadas pela PF, acompanhada da cobrança de celeridade em temas que a equipe técnica da polícia não considera prioritários no momento.