O empresário Antônio Carlos Freixo Jr., que fechou acordo de delação em apurações relacionadas ao Banco Master, movimentou R$ 940 mil com a empresa Wave, que figura em investigações sobre possíveis desvios no contrato entre o Corinthians e a Vai de Bet. Os registros indicam que Freixo, entre janeiro de 2020 e junho de 2025, recebeu 570 prêmios de loterias e casas de apostas, totalizando R$ 176 milhões, levantando suspeitas do Ministério Público de São Paulo sobre lavagem de dinheiro.

Ligação com o caso Corinthians e investigações do MP

A transferência de R$ 940 mil de uma empresa associada a Freixo para a Wave é um dos pontos investigados pelo Ministério Público, que cita a Wave em uma apuração paralela sobre lavagem de dinheiro e desvios no patrocínio entre o Corinthians e a Vai de Bet. A Wave, formalmente de um motoboy, teria movimentado milhões nos últimos anos e é mencionada em denúncias contra ex-dirigentes do clube. Investigadores também identificaram transações da Wave com um empresário do futebol citado na colaboração de Antonio Vinicius Gritzbach, falecido em novembro de 2024.

Apesar da transação, o Ministério Público esclarece que o pagamento de R$ 940 mil não confirma, por si só, o envolvimento de Freixo nas irregularidades do Corinthians. A transação está sendo analisada para reconstruir a rede financeira do empresário e determinar a origem, finalidade e beneficiários dos recursos. Freixo, também conhecido como “Mineiro” e dono da Entre Investimentos, faz parte dos investigados na Operação Crédito Oculto.

Esta operação, deflagrada pelo Gaeco e Receita Federal, visa apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial no setor de combustíveis. A Receita Federal informou que a ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e busca desvendar estruturas financeiras usadas para esconder beneficiários e a origem dos recursos.

Atuação em outras investigações

Freixo ganhou relevância nas apurações sobre o Banco Master ao relatar sua participação em operações financeiras vinculadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele admitiu ter auxiliado Vorcaro na obtenção de dinheiro em espécie para transações específicas. A Entre Investimentos, empresa de Freixo, foi liquidada pelo Banco Central em março, após ser abrangida pela Operação Compliance Zero, que investiga fraudes ligadas ao Banco Master.

Em sua colaboração com a Procuradoria-Geral da República, Freixo mencionou transferências que, segundo ele, foram solicitadas por Vorcaro para um fundo que financiou o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Operação Crédito Oculto também examina a relação de Freixo com negócios ligados a Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mouhamad Murad, o Primo, ambos associados a empresas do setor de combustíveis e investigados por possíveis crimes tributários, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

A Receita Federal destaca que a Operação Crédito Oculto busca clarear mecanismos financeiros que ocultam o controle econômico de empresas e a identidade de beneficiários. A ação, que envolve diversos órgãos como Receita, Gaeco e Secretarias da Fazenda e de Segurança Pública de São Paulo, cumpriu mandados em endereços de 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas em sete estados. A investigação analisa a aquisição de uma distribuidora de combustíveis e rastreia estruturas complexas envolvendo instituições financeiras, fundos de investimento e holdings, além de movimentações de bilhões de reais.