O ministro André Mendonça afastou sozinho o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, bem na hora em que a PF estava avançando com tudo sobre o Caso Master — aquela história de áudios e R$ 61 milhões que liga o senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Vorcaro. Ou seja: quem estava no comando da investigação foi tirado do cargo justo quando as coisas estavam ficando sérias. Coincidência? Parece muito improvável.

Na prática, a investigação perdeu força e o foco mudou: em vez de se falar das provas, todo mundo agora só discute briga entre poderes. E sabe quem sai ganhando? Exatamente quem estava sendo investigado. A crise virou cortina de fumaça — enquanto a gente se distrai com o conflito, as apurações vão esfriando aos poucos.

E o pior: ao criar esse clima de instabilidade, Mendonça acabou entregando de bandeja o cenário sobre o qual o secretário americano Marco Rubio já vinha alertando. O candidato do PL sai em vantagem: tem a investigação enfraquecida, ganha motivo para questionar as instituições e ainda pode usar o caos como pretexto — tudo servindo ao propósito de interferir no processo eleitoral.

A verdade é que isso tem cara de golpe institucional, feito passo a passo, com argumentos que não enganam ninguém. Quando se afasta quem está investigando gente poderosa, bem na véspera de eleição, dá para ver claramente onde a coisa vai dar. A sociedade precisa perceber: não é só um cargo em jogo — é a lisura das eleições e a independência das apurações.