247 – A crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e provocou desgaste eleitoral, segundo Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha presidencial. O dirigente afirmou que a turbulência interrompeu um cenário que considerava favorável ao governo na disputa eleitoral.
“Claro que vínhamos em uma situação muito favorável eleitoralmente. Veio essa crise institucional. É inegável que ela atingiu a nossa campanha, desgastou a nossa campanha”, disse Edinho durante entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, de acordo com a coluna da jornalista Andréia Sadi, no G1
Crise penaliza quem está no governo
Na avaliação do presidente do PT, uma crise envolvendo as instituições acaba produzindo consequências para quem ocupa o governo porque, segundo ele, parte da população não diferencia claramente as responsabilidades dos Três Poderes.
“A sociedade traduz todo o sentimento de mudança, o sentimento antissistema, em quem é governo”, disse.
Edinho afirmou ainda que a crise “assola todo o ambiente político brasileiro” e “penaliza efetivamente o incumbente, aquele que está no poder, aquele que está à frente do governo”.
Apesar de reconhecer o impacto eleitoral, o coordenador da campanha afirmou que Lula vem reagindo à turbulência de maneira coerente com posições defendidas anteriormente pelo presidente.
“É inegável o desgaste, mas estamos respondendo com decisões coerentes com aquilo que nós sempre defendemos. Tem que haver reforma do Judiciário, e os responsáveis têm que ser penalizados”, declarou.
Edinho defende reforma do Judiciário
O dirigente petista também considerou legítimos os questionamentos da sociedade em relação ao Judiciário e mencionou mudanças institucionais que, em sua avaliação, podem ser debatidas.
Entre as propostas citadas estão a definição de uma idade mínima para integrar os tribunais superiores, a adoção de mandatos para ministros e a ampliação da participação da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
A reforma do Judiciário, portanto, deverá aparecer entre os temas defendidos pela campanha de Lula como resposta ao desgaste institucional reconhecido pelo próprio coordenador da candidatura.
Indicações de Lula e Dilma ao STF
Durante a entrevista, Edinho também rejeitou estabelecer uma relação direta entre o desgaste enfrentado pelo Supremo e as indicações feitas à Corte durante os governos petistas.
Dos dez ministros do STF mencionados no contexto da entrevista, seis foram indicados durante governos do PT: quatro por Lula e dois pela ex-presidente Dilma Rousseff.
“Não consigo fazer esse vínculo tão direto entre as indicações dos governos Lula e Dilma e o desgaste que a Suprema Corte enfrenta. Seria, na minha avaliação, forçar demais a mão”, afirmou Edinho.
Campanha aposta em agenda de mudanças
Ao abordar a estratégia eleitoral diante da crise, o presidente do PT indicou que a campanha pretende apresentar Lula associado a uma agenda de mudanças institucionais.
Além da reforma do Judiciário, Edinho citou a necessidade de reformas política e eleitoral. O dirigente argumentou que o atual funcionamento do sistema não responde às demandas existentes na sociedade e reproduziu uma avaliação feita pelo presidente.
“O sistema hoje, como está organizado, não responde aos anseios da sociedade. Como tem dito o presidente Lula, o sistema apodreceu. Ele precisa ser reformado, precisa ser alterado para que a gente dê conta dos anseios da sociedade”, disse.






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