A crescente influência dos fundos financeiros no futebol e em outros grandes eventos esportivos e de entretenimento tem sido um tema de análise sobre a financeirização global. A discussão é impulsionada por reportagens sobre a Copa do Mundo e pela observação do papel desses fundos na economia contemporânea, que se consolidam como importantes atores na mobilidade de capital e na racionalidade neoliberal.

Um dos marcos dessa dinâmica é o movimento transetorial horizontal, facilitado pelos fundos, que permite a hiper mobilidade do capital originado em diversas áreas, como petróleo, imóveis e o setor de eventos. Essa interconexão foi exemplificada pela transferência de Neymar para o PSG em 2017, um clube pertencente a um fundo soberano árabe, que também controlava canais de televisão e exercia influência sobre o campeonato. Tal estrutura evidencia a extração de recursos do futebol em diferentes nações, misturando-se à captação de capital de outros setores.

A lógica da financeirização e a assetização

As gestoras de fundos atuam como catalisadoras do capital acumulado no patamar das “altas finanças”. Este sistema envolve entidades como a FIFA e o COI, além de grandes marcas de espetáculos e governos de países centrais e periféricos. A lógica da financeirização é crucial para movimentar e controlar esse vasto aparato, dando origem a mecanismos como as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e outros arranjos que envolvem clubes e confederações.

O circuito transetorial é impulsionado pelas finanças, abrangendo desde o capital imobiliário em construções até as “condições gerais de produção” bancadas pelos estados. O que antes eram estádios agora são “arenas multiuso”, aproveitando a infraestrutura para mega shows que, por sua vez, beneficiam plataformas de hospedagem como o Airbnb. Esses movimentos geram capitalização e valorização, mas, acima de tudo, resultam na extração de capital local.

Outro ponto a ser observado é a maneira como a FIFA tem se beneficiado da revenda de ingressos em sua plataforma, obtendo percentuais sobre as transações. Isso é comparável à extração de uma fração da renda dos cambistas, porém sem risco para a entidade.

Expansão geográfica e concentração de capital

A expansão geográfica da Copa do Mundo, sediada em múltiplos países como EUA, México e Canadá em 2026, e a previsão para Espanha, Portugal e Marrocos em 2030, é uma estratégia para intensificar a disputa entre nações e maximizar a extração de recursos das gestões nacionais. Esse modelo amplia o público envolvido e intensifica a hegemonia financeira.

Os exemplos mencionados demonstram a ampliação da hegemonia financeira, que exerce um controle cada vez maior sobre os negócios globais, promovendo a extração de rendas nacionais e uma maior concentração de capital. Esse processo é impulsionado por pequenos grupos rentistas, geralmente vinculados a gestoras de fundos financeiros que controlam ativos, em um fenômeno conhecido como assetização.