O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem um histórico de atuação política marcado por posicionamentos e situações que geraram debates públicos. Sua trajetória inclui a defesa de um policial militar acusado de matar uma menina, controvérsias relacionadas a financiamentos de projetos, denúncias sobre remuneração de assessores e declarações sobre a ditadura militar, a pandemia de Covid-19 e direitos trabalhistas.
Em 2021, Flávio Bolsonaro integrou a defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de ser o autor do disparo que vitimou Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, em Niterói. O senador assinou um recurso contra a decisão que levaria o policial a júri popular. Outros pontos que envolvem o senador incluem o financiamento de um filme sobre o pai, despesas pessoais e uma denúncia sobre salários de assessores.
Controvérsias e posicionamentos
Flávio procurou Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A negociação, segundo reportagem, envolveria US$ 24 milhões, dos quais ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido transferidos. O senador, que inicialmente negou o financiamento, depois confirmou ter buscado patrocínio, negando ter oferecido vantagens. Uma perícia contratada pela produtora registrou US$ 13,39 milhões em aportes e despesas ligadas ao filme, com a Polícia Federal investigando os repasses.
Outra apuração, divulgada pelo UOL e PlatôBR, trouxe mensagens e documentos do ex-sócio de Flávio, Alexandre Santini. O material, que veio a público durante uma disputa financeira, indicava encontros privados. Reportagens também mencionaram a compra de um relógio de luxo e o pagamento de equipamentos de academia para Flávio por um advogado. O senador afirmou que o relógio foi um “empréstimo pessoal” e que estaria pagando por ele. Mensagens também apontaram para uma suposta conversa de Flávio com um ministro do STF em favor de um cliente, sem comprovação independente.
Quando deputado estadual, Flávio foi denunciado pelo Ministério Público por suposta participação em um esquema de devolução de salários de assessores, a chamada “rachadinha”. Em 2022, o Tribunal de Justiça do Rio rejeitou a denúncia após tribunais superiores invalidarem parte das provas. O caso não resultou em condenação.
Em relação à jornada de trabalho, Flávio criticou a proposta de redução apoiada por Lula, qualificando-a como “oportunista”. Ele defende a PEC 12/2026, que prevê jornada flexível com pagamento por hora. Sobre as apostas online, criticou a proibição do governo Lula, defendendo a necessidade de diferenciar apostas esportivas de cassinos online. Ele votou contra a regulamentação das bets aprovada em 2023.
No livro “Jair Messias Bolsonaro: mito ou verdade”, de 2017, Flávio nega o golpe de 1964, defende os militares como “heróis nacionais” e descreve o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador pela Justiça, como “um homem correto, íntegro”. Ele também classificou a Comissão da Verdade como “revanchista” e questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas. Em 2018, divulgou informação inverídica sobre um livro didático e defendeu o pai em meio a críticas sobre declarações a pessoas LGBT, afirmando que “o normal é ser heterossexual”.
Durante a pandemia de Covid-19, Flávio defendeu medicamentos sem eficácia comprovada e criticou o distanciamento social. Ele relatou ter tratado os sintomas da doença com hidroxicloroquina e azitromicina, e comparou medidas de isolamento à divisão entre atividades essenciais e não essenciais, usada pelos nazistas. Também defendeu o “isolamento vertical”. A partir de 2021, passou a apoiar as vacinas.
Entre os principais aliados do senador estão Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha. Valdemar, que foi preso durante uma operação da Polícia Federal, afirmou em entrevista que houve discussões sobre um golpe no fim do governo Jair Bolsonaro.







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