Com a proibição das casas de apostas online anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os clubes da Série A enfrentam uma crise financeira. Dos 20 times da primeira divisão, 14 contam com patrocínio máster ligado às bets que somam R$ 910 milhões em receitas anuais.

O Flamengo lidera o ranking de clubes mais dependentes desse tipo de patrocínio. O time carioca recebe R$ 220 milhões fixos por ano. Corinthians (R$ 150 milhões) e Palmeiras (R$ 100 milhões) completam o pódio dos maiores beneficiários. São Paulo, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Vasco e Santos arrecadam entre R$ 90 milhões e R$ 35 milhões cada um com esses contratos. Vitória (R$ 20 milhões), Remo (R$ 12 milhões) e Chapecoense (R$ 10 milhões) recebem os menores valores. O Grêmio fechou contrato com uma casa de apostas, mas não divulgou os valores.

Os valores reais podem ser ainda maiores. A maioria dos contratos inclui bônus por títulos e desempenho esportivo. No caso do Palmeiras, os bônus chegam a R$ 70 milhões por ano, aumentando a receita total para R$ 170 milhões. Atualmente, um em cada três reais das receitas comerciais da Série A vem das casas de aposta. Em 2025, os clubes arrecadaram R$ 1,03 bilhão com esses patrocínios.

Cronograma da proibição

Os apostadores têm até 23h59 de segunda-feira (28) para retirar voluntariamente o dinheiro das plataformas. Caso não consigam, os bancos que operam para as bets farão a devolução até 5 de outubro. Sites e aplicativos saem do ar a partir de 6 de outubro. As empresas têm até o mesmo dia para remover todas as peças e ações de publicidade e marcas de patrocínio.

A medida provisória passa a valer quando for publicada no Diário Oficial da União, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para se tornar lei. O governo também anunciou fiscalização que inclui bloqueio de transferências bancárias para apostas e derrubada de sites ilegais.