Dirigentes de importantes clubes da elite do futebol brasileiro debatem ações conjuntas para reverter ou minimizar os efeitos da medida provisória que baniu a operação das casas de apostas no país. Entre as possibilidades levantadas, há a paralisação do Campeonato Brasileiro como medida de pressão ao governo federal.

A ideia de parar o Brasileirão ganhou força durante conversas entre os dirigentes e reforça o movimento de protesto. O objetivo é buscar junto ao governo uma solução que vá além do plano apresentado até agora, com linha de crédito com juros mais baixos. Os clubes pleiteiam um período de transição antes do fim das bets, argumentando que a suspensão abrupta compromete orçamentos de 2026 e 2027.

Em 2025, o patrocínio somado das bets aos clubes da Série A chegou a aproximadamente R$ 1,03 bilhão, um crescimento de cerca de 66% em relação aos R$ 618 milhões aportados no ano anterior. A ameaça de não entrar em campo também visa pressionar a CBF a ser mais ativa no debate, já que a entidade mantém contrato com site de apostas.

A possibilidade de paralisar o campeonato passou a ser discutida durante conversas entre os dirigentes na véspera de reunião convocada pelo governo federal e intermediada pela CBF a pedido do Planalto. O encontro estava marcado para terça-feira (29), mas foi cancelado pelo risco de boicote dos clubes. A última suspensão do Brasileiro ocorreu entre março e agosto de 2020, no auge da pandemia de Covid-19.

Até o momento, a CBF tem evitado se expor no debate sobre o fim das bets. A entidade limitou-se a informar que não iria se manifestar quando procurada nos últimos dias. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as bets e afirmou que o esporte viveu momentos de glória sem depender do dinheiro do setor.