Um chiclete grudado na roupa de uma adolescente morta em 1978 tornou-se a chave para resolver um assassinato que ficou sem resposta por quase 50 anos nos Estados Unidos. Mark Stanley Personette, 80 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo homicídio de Marissa Rolf Harvey, que desapareceu durante uma visita a São Francisco, na Califórnia, em 27 de março de 1978.
Marissa, residente em Nova York, estava visitando a irmã na Califórnia quando saiu para passear pelo Golden Gate Park e não retornou. Seu corpo foi encontrado perto do Sutro Heights Park. A investigação inicial revelou que ela havia sido vítima de violência sexual e estrangulamento, mas os investigadores da época não conseguiram identificar o responsável. O caso se tornou um "cold case" — terminologia usada para homicídios antigos sem solução.
A investigação foi reaberta em outubro de 2020, quando as autoridades decidiram reexaminar as evidências preservadas com técnicas modernas de análise genética. Os avanços tecnológicos permitiram o uso de testes avançados de DNA e genealogia genética investigativa, método que cruza perfis genéticos com bancos de dados para localizar possíveis parentes e suspeitos. A análise identificou um perfil masculino de DNA na blusa e na calça de Marissa, além do material genético em um chiclete seco que permanecia preso à região das costas da adolescente.
Material genético levou ao suspeito no Colorado
O DNA recuperado das evidências levou os investigadores até Personette, que vivia no Colorado. Agentes do FBI acompanharam o suspeito e recolheram objetos descartados por ele em um estacionamento de um Walmart em Denver. O perfil genético obtido foi comparado ao DNA preservado nas evidências do assassinato, com compatibilidade confirmada. Durante buscas na casa de Personette, as autoridades encontraram placas de veículos da Califórnia — um detalhe relevante, já que o suspeito havia negado estar em São Francisco.Durante o julgamento, outra mulher testificou que tinha 16 anos quando foi vítima de abuso sexual por Personette em 1979, em Nova Jersey. O depoimento foi considerado relevante pelos jurados, que condenaram Personette pelo assassinato de Marissa.
A promotora distrital de São Francisco, Brooke Jenkins, destacou em comunicado divulgado esta semana que "após quase 50 anos, o sr. Personette finalmente está sendo responsabilizado pelos crimes hediondos contra Marissa e passará o resto da vida na prisão". Jenkins acrescentou que, embora a sentença não possa trazer Marissa de volta, espera-se que ofereça à família um senso de justiça pelos sofrimentos enfrentados. O caso ilustra como evidências aparentemente pequenas, preservadas durante décadas, podem ganhar importância crítica com o avanço das tecnologias forenses.







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