O Flamengo ingressou no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar a proibição das apostas esportivas no Brasil. A ação abre mais um front dos clubes na tentativa de reverter a decisão do governo Lula, que assinou uma Medida Provisória na semana passada interditando o mercado de bets.

Na petição, o Flamengo pede uma liminar que suspenda os efeitos da proibição no prazo mais curto possível. O clube também solicitou status de amigo da corte no processo e reforçou o argumento de que as consequências financeiras são irreversíveis caso a medida siga em vigor. "Quando o Parlamento começar a debater a MP, não haverá mais o que preservar", afirma trecho da petição.

O Flamengo integra uma série de medidas dos clubes para contornar a proibição. Antes, entidades representativas do setor — a Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável — já haviam buscado solução junto ao governo. Após a insatisfação com o veto anunciado, os dirigentes boicotaram uma reunião convocada pelo Ministério do Esporte.

Receio de impactos financeiros

O clube alerta para riscos que considera irreparáveis caso a proibição permaneça: dispensa de atletas, demissão de funcionários, desativação da equipe feminina e encerramento de modalidades olímpicas. "Nenhum decreto legislativo restabelecerá, em 2027, o contrato rompido em outubro de 2026", afirma a petição.

No STF, a expectativa dos clubes está centrada no ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade que aborda a questão das bets. Os dirigentes seguem avaliando quais medidas adicionais podem tomar, com a perspectiva de que, após o primeiro turno eleitoral, o governo possa rever sua posição.

Duas partidas do Brasileirão nesta semana — São Paulo x Santos e Atlético-MG x Red Bull Bragantino — marcarão a despedida das apostadoras do campeonato. Na segunda-feira, expira o prazo estabelecido pelo governo para sumiço geral da publicidade e retirada do ar dos sites e plataformas de bets. As reclamações dos clubes crescem conforme as plataformas notificam sobre rescisão contratual.