247 – Integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem um afastamento gradual de Alexandre de Moraes após os recentes reveses enfrentados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, aliados consideram que uma eventual investigação sobre a relação do magistrado com o banqueiro Daniel Vorcaro pode transformar essa proximidade em desgaste político para o governo.
De acordo com a publicação, interlocutores de Lula recomendaram que o presidente inicie imediatamente um processo de desvinculação de Moraes. A avaliação é que as imagens dos dois ficaram fortemente associadas desde a eleição presidencial de 2022, o que poderia ampliar o impacto político de eventuais problemas envolvendo o integrante do STF.
O aconselhamento ocorreu depois de Moraes sofrer duas derrotas na quarta-feira (9): a perda do inquérito das fake news e a convocação de uma sessão do Supremo para analisar a abertura de uma investigação sobre sua relação com Vorcaro.
No governo, conforme o Painel, a percepção predominante é que o STF tende a autorizar a apuração, sobretudo porque a decisão será discutida em sessão pública. Caso esse cenário se confirme, aliados acreditam que Moraes poderá se tornar um “fardo político pesado” e, na prática, uma espécie de “ministro-zumbi”, com sua atuação condicionada pelo avanço das investigações.
A recomendação não significa um rompimento imediato. A estratégia sugerida envolve reduzir progressivamente a exposição conjunta e impedir que eventuais questionamentos dirigidos ao ministro sejam transferidos politicamente para o presidente.
A proximidade entre Lula e Moraes ganhou força no período posterior às eleições de 2022, quando instituições reagiram às contestações do resultado das urnas e aos ataques contra o sistema eleitoral. O ministro também foi relator do processo sobre a trama golpista que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Esse histórico tornou Moraes uma figura central no enfrentamento ao bolsonarismo e aproximou sua imagem da defesa institucional promovida pelo governo Lula. Agora, porém, aliados do presidente avaliam que a abertura de uma investigação contra o magistrado mudaria esse cálculo e exigiria maior distanciamento político do Palácio do Planalto.






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