A especialista Veronyka Gimenes, que integra a lista dos 100 nomes mais influentes em inteligência artificial ao lado de figuras como Sam Altman e Elon Musk, discutiu a atual virada histórica impulsionada pela IA. Segundo ela, a “transformação digital inteligente” marca uma nova fase de convivência entre humanos, máquinas e sistemas que utilizam a linguagem natural.

Essa transição tecnológica ocorre em um cenário de disputa geopolítica, com Estados Unidos e China intensificando investimentos no setor. Um exemplo claro é o avanço dos robôs humanoides, potencializado pelos grandes modelos de linguagem (LLMs), que podem revolucionar a interação diária entre pessoas e máquinas. Conforme Gimenes, “A linguagem se libertou de nós através da Inteligência Artificial. Hoje, ela é o meio pelo qual todas as máquinas conversam entre si — da geladeira ao computador, da TV aos modelos de linguagem soberanos do governo ou de Big Techs americanas”.

Desafios e oportunidades no Brasil

Apesar do potencial da IA, a questão do acesso e da inclusão é crucial, especialmente ao considerar as desigualdades no “Brasil profundo”. O debate vai além de quais profissões sobreviverão à IA, focando em quem terá o poder de definir o futuro do trabalho e quais tecnologias serão empregadas. O Brasil tem a oportunidade de não ser um mero consumidor, mas de questionar, disputar e participar ativamente na regulação e soberania tecnológica, transformando-se de usuário passivo em criador e modificador da tecnologia.

A emancipação tecnológica começa com um olhar crítico sobre a tecnologia. Algoritmos e plataformas não são neutros, sendo construídos com base em escolhas econômicas, políticas e culturais que geram consequências. Iniciativas regulatórias, como o ECA Digital, destacam a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Além da proteção, a cultura hacker – entendida como curiosidade e desejo de compreender o funcionamento das coisas – pode ser fundamental para que as pessoas não apenas usem, mas também criem e modifiquem as ferramentas de IA.

O Brasil no cenário global da IA

O Brasil tem conquistado espaço no debate internacional sobre IA, com pesquisadores, desenvolvedores, empreendedores e formuladores de políticas contribuindo em diversas áreas, da pesquisa científica à saúde e políticas públicas. A presença de nomes brasileiros na lista TIME100 AI reforça a importância de o país não apenas consumir, mas também produzir conhecimento e tecnologia. A questão central é: se as máquinas estão aprendendo a criar, o que nós, humanos, estamos dispostos a criar com elas e para quem?