O ovo da serpenteComo o bolsonarismo foi chegando perto do nazismo, e por que o “demita petista” acende o alarme
Em 1933, os nazistas colaram cartazes nas lojas: “não comprem de judeus”. Em 2026, uma deputada eleita manda: “demita petista”. Não é igual. Ninguém precisa que seja igual para ser perigoso.
Georg Pahl / Bundesarchiv, Bild 102-14468 (CC BY-SA 3.0 DE)
O título vem do filme de Ingmar Bergman sobre a Berlim dos anos 1920: pela casca fina de um ovo de serpente, já dá para ver o réptil formado. Ninguém acordou num dia de 1933 e decidiu montar câmaras de gás. Antes vieram as palavras. Depois os símbolos. Depois os boicotes, as demissões, as prisões. Cada passo parecia exagero de quem avisava.
No Brasil, não há partido único, nem campos, nem leis raciais. Mas há uma trilha de 27 anos de flertes com o nazismo, com o fascismo e com a morte como política. Imprensa, pesquisa acadêmica e Justiça registraram cada passo. O Você Viu Isso? junta tudo aqui.
“Primeiro vieram buscar os comunistas, e eu não disse nada, porque não era comunista.”Martin Niemöller, pastor alemão preso pelos nazistas de 1937 a 1945
Bundesarchiv, Bild 183-S33882 (CC BY-SA 3.0 DE)
O nazismo começou pelos opositores
Hitler virou chanceler em 30 de janeiro de 1933. Em março, abriu Dachau, o primeiro campo de concentração. Os primeiros presos não eram judeus: eram comunistas e social-democratas, a esquerda alemã. Em abril, veio o boicote às lojas judaicas e a lei que demitiu do serviço público judeus e “politicamente não confiáveis”.
53 diasentre a posse de Hitler e o primeiro campo, feito para presos políticos
1933 × 2026: tirar o sustento de quem pensa diferente
ALEMANHA, ABRIL DE 1933
1º de abril: boicote às lojas, médicos e advogados judeus. “Alemães! Defendam-se! Não comprem de judeus!”
7 de abril: lei tira do emprego público judeus e comunistas e social-democratas.
Ser de esquerda virou motivo de demissão.
BRASIL, OUTUBRO DE 2026
“Você tem uma empregada que é petista? DEMITA! Tem um funcionário que é petista? DEMITA! Seu barbeiro é petista? Troque de barbeiro. Amigos petista? DEMITA! [...] Demita o mal.”
Publicado no X por uma vereadora de Londrina eleita deputada estadual pelo PL, horas depois da reeleição de Lula. 31 mil curtidas.
O voto de mais da metade do país vira motivo para perder emprego, cliente e amigo. O adversário vira “o mal”.
A lei brasileira proíbe: o MPT abriu apuração. Leia a matéria.
O dia em que o governo copiou Goebbels
Em 16 de janeiro de 2020, o secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro publicou um vídeo oficial anunciando um prêmio de artes. Ao fundo, a ópera Lohengrin, de Wagner, a preferida de Hitler. O texto era quase o mesmo de um discurso de Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, a diretores de teatro em 1933. Compare:
GOEBBELS, 1933
“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.”
Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler
Georg Pahl / Bundesarchiv, Bild 102-17049 (CC BY-SA 3.0 DE)
=
ALVIM, 2020
“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada.”
Roberto Alvim, secretário especial da Cultura de Bolsonaro
Clara Angeleas / Secretaria Especial da Cultura (CC BY 2.0)
Alvim disse que foi “coincidência retórica”. Caiu no dia seguinte, depois da reação de entidades judaicas, do Congresso e do STF. Na véspera, Bolsonaro tinha feito live ao lado dele e elogiado o secretário.
Os símbolos que escaparam
Supremacistas usam sinais discretos para se reconhecer sem chamar a polícia. Alguns apareceram em pleno governo.
Ministério das Relações Exteriores (CC BY 3.0)
SENADO, MARÇO DE 2021
O gesto do assessor
Atrás do presidente do Senado, ao vivo, Filipe Martins, assessor internacional de Bolsonaro, une o polegar e o indicador e deixa três dedos esticados: o “WP”, de white power, usado por supremacistas. Ele disse que ajeitava a lapela. A Justiça Federal o condenou pelo gesto. Em dezembro de 2025, veio a conta maior: 21 anos de prisão, dados pelo STF, por participar da trama golpista. Hoje está preso no Paraná.
LIVE, MAIO DE 2020
O copo de leite
Bolsonaro e aliados tomam leite em silêncio diante da câmera. Nos EUA, o copo de leite virou senha de supremacistas brancos e neonazistas, que o usam como símbolo de “pureza branca”. O Planalto disse que era homenagem aos produtores de leite.
17 de dezembro de 2004Carta assinada pelo deputado Jair Bolsonaro, publicada em pelo menos três sites neonazistas, com foto dele e banner para o site do gabinete.
INTERNET, 2004
A carta
Achada em 2021 pela antropóloga Adriana Dias, que mapeava o neonazismo no Brasil. Ela registrou o salto das células neonazistas no país: de 75 em 2015 para 530 em 2021. Adriana morreu em 2023.
Era o lema da Ação Integralista Brasileira, de Plínio Salgado: camisas verdes, braço erguido, saudação “Anauê”. O fascismo brasileiro, aliado do modelo de Mussolini. Em 2022, virou slogan da campanha de Bolsonaro.
Bundesarchiv, Bild 183-S33882 (CC BY-SA 3.0 DE)
PLANALTO, JULHO DE 2021
A neta do ministro de Hitler
Fora da agenda oficial, Bolsonaro recebe e posa para foto com Beatrix von Storch, líder do AfD alemão e neta de Lutz Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças do regime nazista. O partido dela era vigiado pela inteligência alemã por extremismo.
TV Brasil Gov (CC BY 3.0)
BRASÍLIA, 8/1/2023
Do símbolo à ação
Uma semana depois da posse de Lula, milhares invadem e depredam Planalto, Congresso e STF pedindo intervenção militar. Em 2025, Bolsonaro é condenado a 27 anos e 3 meses pela trama golpista.
Alan Santos / PR, Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)
“Bandido bom é bandido morto”
Todo regime fascista precisou de quem matasse fora da lei e de quem aplaudisse. A SA, as milícias camisas-negras de Mussolini. No Brasil, o bolsonarismo fez carreira elogiando quem mata.
Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, esses grupos de extermínio, no meu entender, são muito bem-vindos.BOLSONARO, NA TRIBUNA DA CÂMARA, 2003, SOBRE MATADORES QUE AGIAM NA BAHIA
Esses caras vão morrer na rua igual barata, pô. E tem que ser assim.BOLSONARO, PRESIDENTE, 2019, DEFENDENDO LICENÇA PARA POLICIAIS MATAREM
Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre.BOLSONARO, CANDIDATO, 2018, COM UM TRIPÉ NA MÃO COMO SE FOSSE FUZIL
O Brasil só vai mudar [...] fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil.BOLSONARO, DEPUTADO, 1999, NA TV BANDEIRANTES
Em 2005, ele defendeu na tribuna o PM Adriano da Nóbrega, condenado por homicídio e homenageado por Flávio Bolsonaro com a Medalha Tiradentes. Adriano foi depois apontado como chefe do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel ligado às milícias do Rio, e morreu em 2020 num cerco policial na Bahia.
CanalGov (CC BY 3.0) · Operação Contenção, Rio, 28/10/2025
A polícia que mata. E a polícia que morre.
Em 17 de fevereiro de 1933, três semanas depois da posse de Hitler, Hermann Göring mandou a polícia da Prússia usar a arma “sem hesitação” contra os “inimigos do Estado” e prometeu proteger quem atirasse. Quem hesitasse seria punido. Era o “decreto do tiro”: a licença para matar veio antes dos campos. Noventa anos depois, no Brasil, ela tem outro nome: excludente de ilicitude.
6.602pessoas mortas pela polícia no Brasil em 2025. É recorde histórico: 18 por dia.
82%das vítimas eram negras.
121mortos numa única operação, a Contenção, no Rio de Cláudio Castro (PL), em outubro de 2025. A mais letal da história do país.
Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) · Complexo do Alemão
E quem aperta o gatilho também adoece
A política do “bandido bom é bandido morto” não protege o policial. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que o suicídio é a principal causa de morte de policiais no Brasil: 110 tiraram a própria vida em 2025, mais do que os mortos em confronto. Jornada dobrada, salário baixo, trauma sem tratamento e a cobrança de “resultado” medido em corpos.
Polícia que mata demais também morre por dentro. Defender o policial é dar a ele treino, salário, cuidado com a saúde mental e regras claras, não um discurso que o manda para a guerra.
CRÍTICA QUE TAMBÉM VALE PARA NÓS
A Bahia do PT tem a polícia que mais mata no Brasil
Não dá para denunciar a violência policial só quando ela é do adversário. A Bahia, governada pelo PT desde 2007, lidera o país em mortes pela polícia em números absolutos: foram 1.570 em 2025, mais de quatro por dia. Salvador é a cidade com mais mortes por intervenção policial do Brasil, e cidades baianas dominam a lista das mais letais. O governo estadual lançou um plano para reduzir a letalidade, mas os números seguem no topo.
Ser progressista no discurso não basta: a vida de um jovem negro em Salvador vale o mesmo que em qualquer lugar. Quem combate o fascismo não pode aceitar polícia que mata como política de governo, venha de onde vier.
O RECADO PARA O LULA 4
Acabar com a polícia que mata tem que ser bandeira do novo governo
Câmera na farda de todo policial, em todo estado.
Investigação independente de toda morte causada pela polícia.
Verba federal de segurança ligada à redução da letalidade.
Saúde mental, salário e carreira para o policial.
A virada de 2026 foi contra o ódio. Ela só se completa quando o Estado parar de matar quem deveria proteger.
Agência Senado (CC BY 2.0) · posse de 2023
A trilha: 27 anos em 17 paradas
Tudo registrado pela imprensa, pela pesquisa acadêmica e pela Justiça. Role a página.
1999
● ARQUIVOMatando uns 30 milTV BAND · 1999
O "fuzilar" na TV
Deputado, Bolsonaro diz à TV Bandeirantes que o Brasil só mudaria com uma guerra civil "matando uns 30 mil" e que o presidente Fernando Henrique deveria ser fuzilado.
2003
TRIBUNA DA CÂMARA · 2003Grupos de extermínio são muito bem-vindos
"Grupos de extermínio são bem-vindos"
Na tribuna da Câmara, sobre os matadores que agiam na Bahia: "Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, esses grupos de extermínio, no meu entender, são muito bem-vindos."
2004
17 de dezembro de 2004Carta assinada pelo deputado Jair Bolsonaro, publicada em pelo menos três sites neonazistas, com foto dele e banner para o site do gabinete.SITES NEONAZISTAS
A carta nos sites neonazistas
Uma carta assinada por ele, de 17 de dezembro de 2004, aparece em pelo menos três sites neonazistas brasileiros, com foto e banner para o site do deputado. Achada pela antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, e revelada pelo Intercept Brasil em 2021.
2005
ADRIANO DA NÓBREGAPM condenado por homicídioMedalha Tiradentes, dada por FlávioChefe do Escritório do CrimeMorto num cerco policial, 2020
A defesa do futuro chefe de milícia
Bolsonaro discursa na Câmara em defesa do PM Adriano da Nóbrega, condenado por homicídio, que Flávio homenageou com a Medalha Tiradentes. Anos depois, Adriano seria apontado como chefe do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel do Rio.
2016
Wilson Dias / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)
O voto em nome do torturador
No impeachment de Dilma, dedica o voto ao coronel Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi, reconhecido pela Justiça como torturador.
2018
● ARQUIVOVamos fuzilar a petralhadaRIO BRANCO (AC) · 2018
"Vamos fuzilar a petralhada"
No Acre, empunha um tripé como se fosse fuzil. O adversário vira alvo a ser eliminado, não vencido no voto.
2019
Palácio do Planalto (CC BY 2.0)
"O nazismo era de esquerda"
Em Israel, depois do Museu do Holocausto, diz que "não há dúvida" de que o nazismo era de esquerda. Dias depois, que o Holocausto pode ser "perdoado". O presidente israelense responde: "Nunca perdoaremos".
2019
PRESIDENTE · 2019Vão morrer na rua igual barata
"Vão morrer igual barata"
Defendendo o excludente de ilicitude para policiais: "Esses caras vão morrer na rua igual barata, pô. E tem que ser assim."
2020
Clara Angeleas / Secretaria Especial da Cultura (CC BY 2.0)
Goebbels na Secretaria da Cultura
Roberto Alvim copia em vídeo oficial um discurso do ministro da propaganda de Hitler, com Wagner ao fundo. É demitido no dia seguinte.
2020
O copo de leite
Em maio, numa live, Bolsonaro e aliados tomam leite em silêncio. Nos EUA, o copo de leite virou meme de supremacistas brancos. Ele disse que era homenagem aos produtores de leite.
2021
Ministério das Relações Exteriores (CC BY 3.0)
O gesto no Senado
O assessor Filipe Martins faz em sessão do Senado um gesto associado a supremacistas brancos. Nega, diz que ajeitava a lapela, mas foi condenado pela Justiça Federal. Em dezembro de 2025, o STF o condenou a 21 anos de prisão na trama golpista.
2021
blu-news.org (CC BY-SA 2.0)
A neta do ministro de Hitler no Planalto
Fora da agenda, recebe Beatrix von Storch, do AfD alemão, neta de Lutz Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças do regime nazista. Entidades judaicas protestam.
2021
75 → 530células neonazistas no Brasil, de 2015 a 2021
As células se multiplicam
Adriana Dias registra o salto: de 75 células neonazistas no Brasil em 2015 para 530 em 2021.
O lema da campanha é o da Ação Integralista Brasileira, o fascismo brasileiro dos anos 1930, de camisa verde e braço erguido.
2023
TV Brasil Gov (CC BY 3.0)
O 8 de janeiro
Bolsonaristas invadem e depredam o Planalto, o Congresso e o STF pedindo intervenção militar.
2025
27 anose 3 meses de prisão: a pena de Bolsonaro no STF
Condenado pelo golpe
O STF condena Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes.
2026
X · 25 de outubro de 2026 · 31 mil curtidas“Você tem uma empregada que é petista? DEMITA! [...] Demita o mal.”
"Demita o mal"
Lula é reeleito. Uma vereadora de Londrina eleita deputada estadual pelo PL manda demitir petistas. Vira alvo do MPT e de pedido de cassação.
Os sinais do fascismo, um por um
Em 1995, Umberto Eco, que cresceu sob Mussolini, listou 14 traços do “fascismo eterno”. Basta um deles para o fascismo começar a se formar, escreveu. Toque em cada sinal.
Você conferiu 0 de 8 sinais.
Onde isso terminou da última vez
O boicote de 1933 virou, em doze anos, a máquina de morte mais eficiente da história. É por isso que ninguém pode tratar o primeiro passo como piada.
⚠ Imagens fortes. As mais duras ficam cobertas: toque para ver.
“O trabalho liberta.” A frase no portão de Auschwitz, na Polônia ocupada, onde mais de 1,1 milhão de pessoas foram mortas.Tulio Bertorini (CC BY-SA 2.0)Crianças sobreviventes de Auschwitz na libertação pelo Exército Vermelho, em janeiro de 1945.Fotógrafos do Exército Vermelho, 1945 (domínio público)Buchenwald, 16 de abril de 1945: prisioneiros nos beliches, cinco dias depois da libertação. Na foto original está o jovem Elie Wiesel, futuro Nobel da Paz.Soldado H. Miller, Exército dos EUA, 1945 (domínio público)Bergen-Belsen, abril de 1945: o médico da SS Fritz Klein, obrigado pelos britânicos a ficar dentro de uma vala comum. Foi enforcado no fim do ano.Sgt. Harry Oakes, Exército Britânico / IWM BU 4260 (domínio público)
6 milhõesde judeus
3 milhõesde prisioneiros de guerra soviéticos
até 500 milciganos (roma e sinti)
250 milpessoas com deficiência, mortas em hospitais
milharesde homossexuais, testemunhas de Jeová e opositores políticos, os primeiros a ir para os campos
Estimativas do Museu Memorial do Holocausto dos EUA.
A fúria das redes: doença ou método?
O “demita” não foi pensado em reunião. Saiu de rompante, no calor de uma derrota, para milhares de seguidores. Muita gente perguntou: isso é só política, ou há descontrole aí?
A psiquiatria tem nome para explosões de raiva recorrentes, impulsivas e desproporcionais ao que as provocou: Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), do manual da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5). E há quem aponte as redes como catalisador desse comportamento, por três caminhos:
1. A fúria por escrito
O imediatismo e a falsa sensação de anonimato fazem a raiva sair em texto, sem filtro: insulto, ordem, linchamento virtual.
2. Zero tolerância a discordar
A simples existência de quem pensa diferente vira gatilho. A resposta precisa ser imediata e hostil, sem medir o estrago na vida real.
3. O algoritmo da indignação
As plataformas premiam o que dá raiva. Estudo da Universidade Yale na Science Advances (2021): posts indignados ganham mais curtidas, e quem é recompensado escreve com mais indignação ainda.
Mas cuidado com o diagnóstico
Transtorno mental só se diagnostica em consulta, nunca por um post. Chamar de doença o ódio político estigmatiza milhões de brasileiros que vivem com transtornos e não fazem mal a ninguém, e ainda dá desculpa a quem escolheu o que disse.
O “demita o mal” teve 31 mil curtidas. Não é surto isolado, é um público que aplaude. O bolsonarismo fez da raiva um método: cultiva, aponta o inimigo e cobra engajamento. Um mandato exige o contrário.
O que diz a lei
Perseguir alguém pelo voto não é opinião: é ilegal. Foi demitido ou ameaçado? Denuncie ao MPT em mpt.mp.br, com sigilo.
Constituição Federal
Garante liberdade de pensamento, de consciência e de convicção política.
Convenção 111 da OIT
Ratificada pelo Brasil, proíbe exclusão no emprego por opinião política.
Lei 9.029/1995
Veda discriminação para contratar ou manter emprego. Demissão por motivo político é nula e gera indenização.
Assédio eleitoral
As regras do TSE vedam condicionar emprego ao voto. Quem incentiva também pode responder.
Lei 7.716/1989
Divulgar a suástica para propagar o nazismo dá de 2 a 5 anos de prisão.
Decoro parlamentar
Imunidade protege opinião, não incitação à ilegalidade. A punição vai até a perda do mandato.
A resposta veio das urnas
Antes do “demita”, o Brasil já tinha respondido. Da Bahia a Recife, dos ribeirinhos da Amazônia aos artistas de camisa verde e amarela, milhões foram às ruas e às urnas na virada que reelegeu Lula.