A jogadora de vôlei Tifanny Abreu, do Osasco, entrou com um pedido judicial de urgência na Justiça Desportiva. O objetivo é contestar a decisão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que, em agosto, vetou a participação de atletas trans em competições femininas.

A atleta busca uma liminar para poder competir na Superliga e na Supercopa, que será disputada nesta sexta-feira. Tifanny expressou sua frustração com a situação. “É muito difícil enfrentar uma situação que me impede de exercer minha profissão e fazer aquilo que amo”, declarou.

Antes da nova regra, a CBV permitia a presença de atletas trans em torneios femininos, desde que mantivessem os níveis de testosterona abaixo de 5 nmol/L, conforme a recomendação da Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS).

A CBV justificou a mudança alegando a necessidade de “assegurar alinhamento entre os critérios aplicáveis às competições nacionais e aqueles adotados pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), pela FIVB (Federação Internacional de Voleibol) e pela CSV (Confederação Sul-Americana de Voleibol)”.

A defesa de Tifanny argumenta que a jogadora participou das competições que garantiram o Osasco na Supercopa e que “é direito da atleta que contribuiu com a campanha estar disputando o campeonato”. Após o anúncio da CBV, Tifanny chegou a jogar pelo Osasco no Campeonato Paulista, pois a Federação Paulista de Volleyball (FPV) liberou sua participação, mantendo as regras anteriores ao novo veto.

Contexto Internacional

A decisão da CBV se alinha a um movimento internacional. Entidades esportivas, federações e governos têm adotado regras mais rígidas sobre a participação de mulheres transgênero em competições. Federações como World Aquatics (Natação), World Athletics (Atletismo) e UCI (Ciclismo) endureceram suas normas para a elite do esporte nos últimos anos. Apesar disso, não há consenso acadêmico sobre uma eventual vantagem atlética para atletas trans.