Produtores da agricultura familiar e líderes de cozinhas solidárias celebraram o Dia Mundial da Alimentação, com a convicção de que o esforço conjunto é essencial para assegurar o Brasil fora do Mapa da Fome. Em julho deste ano, a Organização das Nações Unidas confirmou que o país manteve a porcentagem de população subnutrida abaixo de 2,5% nos últimos três anos.
Esse resultado é atribuído ao trabalho de iniciativas como a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, em Brasília, liderada por Maria do Cerrado. O projeto oferece alimentação a mais de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade, entregando também 200 cestas básicas a famílias cadastradas. Dona Maria e 37 voluntários atuam na separação, armazenamento e preparo dos alimentos, buscando oferecer não apenas comida, mas também acolhimento.
A união que alimenta
A Cozinha Solidária Cantinho da Vovó passou a receber frutas, verduras, legumes e hortaliças diretamente de produtores, como Hosana Alves do Nascimento. Filha de agricultores, Hosana transformou uma área urbana em São Sebastião, no Distrito Federal, em um sistema agroflorestal que produz alimentos de curto prazo, além de árvores frutíferas e oleaginosas, tudo de forma agroecológica, sem o uso de agrotóxicos.
Essa conexão entre produtores e cozinhas solidárias é viabilizada pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), uma política pública do Ministério do Desenvolvimento Agrário. O PAA compra os alimentos e os distribui às cozinhas, que, por sua vez, fazem parte de outra política pública do Ministério do Desenvolvimento Social, focada em atender pessoas com insegurança alimentar.
Impacto social e nutricional
Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, destaca que essa articulação permite que alimentos frescos e saudáveis da agricultura familiar cheguem a regiões onde o Estado nem sempre consegue atuar de forma institucional. Essa parceria não apenas garante a alimentação, mas também proporciona uma maior diversidade de itens na dieta das pessoas atendidas.
A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, ressalta que o enfrentamento à insegurança alimentar começou com a mobilização da sociedade civil durante a pandemia, quando o Brasil ainda estava no Mapa da Fome, e levou à criação desses espaços de cozinhas solidárias.







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