O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia contra quatro profissionais de saúde – um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem – por homicídio culposo. A acusação está relacionada à morte de uma criança de quatro anos, ocorrida em junho de 2026, em um hospital na cidade de Joaquim Távora, localizada a 170 km de Londrina. A Promotoria de Justiça alega que a ausência de medidas necessárias durante o atendimento contribuiu para o falecimento do paciente.
De acordo com a denúncia, a criança foi admitida no hospital com sintomas gripais e permaneceu em observação durante a noite. O óbito foi constatado na manhã seguinte. Exames laboratoriais confirmaram a presença do vírus influenza. O MPPR sustenta que os quatro denunciados, cada um dentro de suas respectivas funções, falharam em prover o acompanhamento contínuo essencial ao quadro clínico da criança. A Promotoria também solicitou à Justiça a fixação de um valor mínimo de indenização aos familiares da vítima pelos danos sofridos, e a denúncia prevê o aumento da pena devido à inobservância de regra técnica da profissão.
Investigação aponta problemas estruturais
Paralelamente à ação criminal, o Ministério Público está conduzindo um procedimento preparatório. O objetivo é investigar e propor correções para problemas estruturais e organizacionais identificados nos serviços de saúde do hospital. Entre as deficiências apontadas, destaca-se o funcionamento do pronto atendimento com apenas um médico clínico geral de plantão, sem a presença de suporte pediátrico adequado.
A investigação também revelou a inexistência de protocolos internos para situações de urgência envolvendo crianças. Foram identificadas ainda a ausência de uma rotina de reavaliação médica periódica para pacientes em observação e a falta de classificação de risco por enfermeiro durante a triagem. O processo inclui a apuração de possíveis falhas na comunicação e na transferência de crianças em estado grave, problemas nos registros médicos e de enfermagem, e a possibilidade de alteração de informações no sistema de prontuário eletrônico. O processo criminal tramita sob segredo de Justiça.







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