A Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Paraná afastou 12 policiais militares de suas funções operacionais nesta sexta-feira (16). A medida faz parte de uma operação que cumpriu 28 mandados de busca e apreensão, visando apurar a divulgação de imagens de tortura e abuso de autoridade envolvendo membros da corporação. Três indivíduos foram presos em flagrante durante a ação policial.
Segundo a Polícia Militar, a operação é um desdobramento da investigação 'Zeitgeist', iniciada em junho. Essa apuração teve início após denúncias de que fotos e vídeos mostrando violência explícita durante abordagens policiais estavam sendo publicados em um perfil de rede social chamado 'militardoparana'. O Subcomandante-Geral da PMPR, Paulo Siloto, destacou que o conteúdo amplamente divulgado exibia atos de tortura e violência contra pessoas, muitos deles moradores de rua ou envolvidos em ocorrências, o que expôs tanto as vítimas quanto a imagem da instituição.
Detalhes da Operação e Prisões
Siloto informou que alguns dos policiais afastados apareciam nos vídeos, enquanto outros interagiam em grupos de mensagens onde as imagens eram compartilhadas. Entre os afastados, há inclusive um oficial em cargo de liderança. Os 28 mandados de busca e apreensão foram direcionados a 24 policiais militares e ao proprietário do perfil na rede social, um homem de 22 anos que não pertence à corporação. A ação, deflagrada pela Polícia Militar com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), resultou em três prisões em flagrante: duas por porte irregular de munição e uma por porte ilegal de arma de fogo.
A operação também apreendeu 26 celulares, três notebooks, um tablet, três pendrives, dois HDs e um cartão de memória, além de uma arma de fogo e munições de diversos calibres. Os mandados foram cumpridos em 12 municípios do Paraná, incluindo Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Almirante Tamandaré, Cerro Azul, Guarapuava, Pato Branco, Mandaguaçu, Nova Esperança, Paranavaí, Francisco Beltrão e Umuarama.
Andamento das Investigações
A Polícia Militar informou que as medidas judiciais atuais buscam aprofundar a apuração, identificar a origem dos conteúdos compartilhados e coletar elementos para individualizar as possíveis condutas irregulares. A corporação ressaltou que a investigação está em andamento e que as medidas adotadas são cautelares e investigativas. A responsabilidade dos envolvidos será analisada individualmente, com base nas provas reunidas ao longo do processo.
As investigações revelaram indícios de que policiais militares teriam repassado imagens de “pessoas detidas, indivíduos feridos ou em situação de vulnerabilidade, além de registros feitos no interior de viaturas e unidades policiais”, produzidos durante o atendimento de ocorrências. O dono do perfil 'militardoparana', que tinha cerca de 23 mil seguidores no Instagram, publicava trechos dos vídeos e oferecia as versões completas mediante pagamento via Telegram. O perfil no Instagram foi desativado e o grupo do Telegram excluído após a repercussão do caso.







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