A cantora Pitty, de 49 anos, lançou seu novo álbum de inéditas, intitulado “Pitty”, após sete anos sem apresentar um trabalho completo. O disco, disponível nas plataformas digitais, é fruto de um processo intenso de reflexão e terapia, que a artista compara a “dois anos de terapia”. A baiana revela que o projeto expõe angústias acumuladas e experiências pessoais, como o fim de seu casamento, a relação com a mãe e descobertas sobre si mesma.

Segundo a artista, este é o primeiro disco que ela realmente sente como seu, pela forma vulnerável e visceral com que se colocou. O álbum nasceu de um impulso de desabafar, com Pitty rascunhando as confissões sozinha, entre janeiro e fevereiro. Ela se viu diante do violão e da tecnologia, produzindo as canções de forma independente, o que lhe trouxe a sensação de estar lançando seu “primeiro disco”. As versões inacabadas foram, então, finalizadas com o produtor Rafael Ramos.

O novo trabalho reflete acontecimentos dos últimos dois anos na vida da cantora. Nesse período, ela realizou uma turnê de celebração dos 20 anos de “Admirável Chip Novo” e anunciou o fim de seu casamento de 19 anos com o baterista Daniel Weksler. A faixa “Álbum de Casamento” aborda o término, com letras que refletem sobre o que resta de um relacionamento. Em “Cuidada”, a artista revê a relação com sua mãe, Laurita, já falecida, expressando a dor de uma conexão marcada pela ausência de cuidado e comunicação.

Sons e temas do novo álbum

“Pitty” é considerado o álbum mais pop do repertório da cantora, misturando guitarras e baixos com melodias mais suaves, batidas marcadas e refrões pensados para apresentações ao vivo. Faixas como “Pileque de Poeta” e “Sobriedade Seletiva”, produzidas por Felipe Vassão, buscam unir o rock dançante. A cantora expressa o desejo de que o público possa “deixar o corpo se movimentar, bater cabeça, gritar, sussurrar”. O álbum abre com “Sobremesa”, que utiliza a analogia do doce para falar de desejo, enquanto “Armadura” aborda a facilidade de se abrir sexualmente em detrimento de uma conexão emocional.

Pitty, conhecida por suas composições sobre política e pertencimento, como “Máscara” e “Admirável Chip Novo”, apresenta no novo disco uma abordagem mais introspectiva. Embora a fúria de antigas canções não esteja tão presente, “Desobediente” retoma as guitarras para falar de uma rebeldia que não segue normas. A artista afirma recusar rótulos e que “tentar atender expectativas alheias é uma armadilha”. Ela se define como “uma mulher usando arte para se comunicar”.

Serviço: A nova turnê de Pitty, que acompanha o lançamento do álbum, estreia neste sábado, 17 de fevereiro, às 22h30, no Espaço Unimed, em São Paulo. Em seguida, a turnê segue para Curitiba e Belo Horizonte. O álbum “Pitty” está disponível em todas as plataformas digitais.