Manifestantes incendiaram e danificaram edifícios em várias cidades da França durante protestos. As manifestações ocorreram em resposta ao aumento do custo de vida e às condições nas escolas.

Em Paris, confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes foram observados. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar centenas de pessoas encapuzadas e mascaradas que atiravam rojões contra as forças de segurança na Praça da República. Os manifestantes gritavam "Macron, renuncie". Um grande contingente de tropas de choque foi mobilizado no local.

Estudantes, que protestam desde meados de setembro com bloqueios de escolas, convocaram seus apoiadores a participar dos atos. A CGT, uma das principais centrais sindicais francesas, também apoiou os protestos, defendendo “salários e aposentadorias mais altos, preços mais baixos e a preservação de serviços públicos que atendam às necessidades da população”.

Segundo o gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, 140 manifestações foram registradas fora da região de Paris, reunindo mais de 30 mil pessoas. As autoridades informaram que pelo menos 166 pessoas foram detidas em todo o país. O ministro do Interior relatou atos de violência por indivíduos encapuzados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de saques, agressões a policiais, incêndios em mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e veículos de comunicação.

Na cidade portuária de Marselha, estabelecimentos comerciais e uma delegacia da polícia municipal sofreram danos. Manifestantes também invadiram brevemente o saguão da prefeitura. O prefeito de Marselha, Benoît Payan, afirmou ao canal BFM que os “danos foram limitados”. Ele fez a declaração no saguão da prefeitura após a polícia dispersar os manifestantes.

Na sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron reconheceu “o direito constitucional de protestar e de se expressar”, mas pediu calma. Ele declarou que este direito “exige respeito. Respeito pelas pessoas, respeito pelo patrimônio e, portanto, o compromisso de não insultar nem destruir”. A polícia proibiu outras concentrações no centro de Paris e determinou o fechamento de estações de metrô, incluindo as próximas à avenida Champs-Élysées e Palácio do Eliseu.

Nas últimas semanas, a França registrou milhares de detenções, centenas de feridos e escolas incendiadas. As manifestações, que marcam o início do ano letivo, estão impactando a campanha para as eleições presidenciais e atraindo atenção internacional. Laurent Nuñez suspendeu o uso de um tipo de granada de atordoamento contra jovens manifestantes, após um adolescente de 15 anos perder uma das mãos. A ativista Greta Thunberg se juntou a estudantes em Saint-Denis.