A Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou as fake news apontadas em um relatório técnico do tribunal. A investigação ocorreu no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, do deputado André Janones (Rede-MG).

A suspensão do canal havia sido determinada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Horas depois, a decisão foi revertida.

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) da campanha de Flávio Bolsonaro alegava que o canal de Janones divulgava informações falsas sobre Nossa Senhora, supostas ligações de Flávio com milícias e lavagem de dinheiro na Kopenhagen, além de cortes no INSS.

No entanto, a campanha de Flávio Bolsonaro não anexou documentos que comprovassem a circulação desses conteúdos no canal. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Cueva, havia solicitado esclarecimentos e provas documentais.

Mesmo sem as provas documentais no primeiro momento, Kassio Nunes Marques determinou a suspensão do canal. A decisão gerou questionamentos de especialistas em direito eleitoral e de ministros de uma ala do TSE, que apontaram indícios de engajamento do presidente do tribunal na campanha de Flávio Bolsonaro. Lula também criticou a decisão, chamando-a de “absurda”. Kassio Nunes Marques negou as acusações, afirmando que as críticas seriam tentativas de intimidação.

O relatório da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE, anexado à Aije, concluiu que “não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”. A assessoria ressalvou que conteúdos podem ter sido apagados, mas a campanha de Flávio Bolsonaro não apresentou provas da presença dos conteúdos no canal.

A advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianneri, informou que, devido ao volume de material, não havia notas atuariais das postagens. Ela alegou que o próprio TSE deveria ter feito essa verificação e que um espelhamento em tempo real do canal será encaminhado ao tribunal. A assessoria de imprensa da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que o canal de Janones tinha a estratégia de apagar sistematicamente conteúdos para evitar o controle. A campanha havia solicitado segredo de justiça para que a Meta conservasse os dados do canal, mas Cueva optou por retirar o segredo e solicitar esclarecimentos.

Crescimento do canal

O canal de Janones, que alcançou rapidamente 3 milhões de usuários, tornou-se uma ferramenta de mobilização da campanha de Lula, visando a fortalecer a presença digital da esquerda.