As importações de veículos elétricos no Paraná tiveram um salto significativo em setembro, crescendo 7.335,6% comparado ao mesmo mês de 2025. Dados da Fecomércio PR revelam que o estado importou US$ 83 milhões em veículos exclusivamente elétricos no último mês, com a China e Hong Kong respondendo por 96,9% desse valor.

A China foi a principal origem dessas importações, contribuindo com US$ 48,2 milhões, o equivalente a 58% do total. Em setembro de 2025, o valor foi de apenas US$ 679,2 mil. Hong Kong, por sua vez, representou 38,9% das vendas, totalizando US$ 32,3 milhões, sem registros de embarques para o Paraná no ano anterior. A Alemanha ficou em terceiro lugar, com uma participação de 3,1%, somando US$ 2,6 milhões.

Crescimento em eletrificados e atuação chinesa

Além dos elétricos puros, os veículos eletrificados também apresentaram crescimento notável. As importações de híbridos não plug-in atingiram US$ 94,8 milhões em setembro, um aumento de 8.597,2% em relação a setembro do ano passado. Os modelos plug-in, que podem ser recarregados na rede elétrica, somaram US$ 68,4 milhões no mês, sem base comparativa disponível para o ano anterior.

A BYD, fabricante chinesa e líder no mercado de elétricos no Brasil há quatro anos, detém uma parcela significativa dos consumidores. João Leandro Carvalho, gerente de Vendas da concessionária BYD Servopa em Londrina, estima um aumento de cerca de 400% nas vendas em comparação com 2023. A revendedora passou de aproximadamente 30 para 150 veículos mensais. As vendas dobraram entre 2025 e 2026. A entrada de novas marcas chinesas no mercado local tem sido vista como um fator de crescimento, apesar de o mercado não ter expandido na mesma proporção. Carvalho descreve a atuação agressiva das empresas chinesas como um dos motores da popularização dos importados elétricos.

Panorama nacional e incentivos governamentais

No âmbito nacional, a Anfavea revisou suas projeções de licenciamentos para 2026, esperando um crescimento de 15,2%. Se essa estimativa se confirmar, a indústria automotiva brasileira fechará o ano com 3,099 milhões de veículos emplacados, o maior volume desde 2014. Até setembro, as vendas de veículos novos no país já haviam aumentado 18,1%, totalizando 2,26 milhões de unidades, das quais 434 mil são eletrificadas e 262 mil foram importadas.

A Anfavea atribui esse desempenho aos incentivos fiscais do programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, lançado em maio para impulsionar a venda de carros novos. O programa oferece taxas de juros mais baixas, de 11,5% a 12,6% ao ano, e prazos de financiamento estendidos para modelos de até R$ 200 mil. Em pouco mais de quatro meses, o programa já resultou no licenciamento de 374 mil veículos.

João Vitor Mendes Felipe, gerente comercial da Renault Barigui em Londrina, aponta um aumento de cerca de 40% nas vendas do modelo Kwid após a implementação do programa federal, passando de 15 a 20 unidades mensais para 20 a 28. Para a produção de veículos, as estimativas também são positivas, com a associação das montadoras prevendo um aumento de 6,7%, alcançando 2,82 milhões de unidades, o melhor resultado desde 2019.