Paris e outras cidades francesas foram palco de caos e violência no último fim de semana, com milhares de pessoas participando de uma jornada nacional de protestos. As manifestações foram motivadas pelo aumento do custo de vida e pelo apoio a reivindicações de estudantes do ensino médio.

O sábado foi marcado por uma forte mobilização, com centenas de milhares nas ruas, mas também por diversos incidentes. Lojas foram vandalizadas e saqueadas, e barricadas foram montadas com contêineres, cercas, bicicletas e mobiliário urbano em algumas áreas comerciais de Paris. Vitrines de estabelecimentos comerciais foram completamente destruídas, deixando cacos de vidro espalhados pelas ruas no domingo.

De acordo com jornais franceses, citando fontes policiais, 855 manifestantes foram detidos somente em Paris. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, informou que mais de 1.200 pessoas foram presas durante os episódios de violência em várias cidades. Além disso, 150 policiais e integrantes da Gendarmaria ficaram feridos. Há relatos de pelo menos cinco feridos em estado crítico e 48 em situação de urgência relativa em Paris e outras cidades. Um manifestante teve a mão amputada em Saint-Étienne após o lançamento de uma granada pelas forças policiais. Também foi registrada uma morte em Paris, de um manifestante que desmaiou no Boulevard Magenta e faleceu antes de chegar ao hospital. As circunstâncias do desmaio estão sendo investigadas.

Confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes ocorreram em Paris. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar centenas de manifestantes encapuzados e mascarados que lançavam rojões e outros objetos contra as forças de segurança na Praça da República. O gabinete do ministro do Interior relatou atos de violência cometidos por indivíduos encapuzados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de saques, agressões a policiais, incêndios de mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e veículos de comunicação. Em Marselha, estabelecimentos comerciais e uma delegacia foram danificados, e manifestantes invadiram brevemente o saguão da Prefeitura.

Na sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron reconheceu “o direito constitucional de protestar e de expressão”, mas pediu calma, ressaltando o “respeito pelas pessoas, respeito pelo patrimônio e, portanto, o compromisso de não insultar nem destruir”. A polícia proibiu outras concentrações previstas para o centro de Paris e determinou o fechamento de estações de metrô neste domingo, incluindo as próximas à Champs-Élysées, ao Palácio do Eliseu, ao Parlamento e a edifícios governamentais.

Contexto e repercussão

Nas últimas semanas, a França tem registrado milhares de detenções, centenas de feridos e escolas incendiadas. Esse início de ano letivo foi marcado por protestos estudantis em escala nacional, afetando a campanha para as eleições presidenciais e atraindo a atenção internacional.