Estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) organizaram um ato “em defesa da democracia” na noite da última quinta-feira (8). A mobilização ocorreu após o resultado do primeiro turno das eleições, realizado no domingo anterior (4), e contou com a participação de movimentos sociais progressistas, sindicatos, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Partido dos Trabalhadores (PT).

Germano Almeida, estudante de Ciências Sociais e um dos organizadores, informou que a manifestação começou a ser articulada após a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) no primeiro turno. Ele destacou que a ala progressista sentiu “angústia” diante do resultado, o que levou à criação de um grupo de apoio emocional e, consequentemente, ao ato de apoio à democracia. Segundo Almeida, em menos de 24 horas, foram formados três grupos de mobilização e um canal, com a adesão de cerca de 3 mil estudantes.

Repercussão da Mobilização

O protesto reuniu centenas de militantes que expressavam slogans contrários ao candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro. Eduardo Albino, estudante de jornalismo de 22 anos, enfatizou a importância de se organizar como classe estudantil em defesa da democracia, valor muitas vezes esquecido. Brenda Adriele, estudante de serviço social de 28 anos, salientou a defesa da universidade pública, da soberania e dos direitos conquistados ao longo de anos de luta.

Gleicy Miranda, estudante de biologia de 24 anos, defendeu as políticas públicas, mencionando sua própria experiência de ter vindo de Brasília para estudar na UEL e se formar graças a elas. Maria Clara Félix, estudante de letras de 18 anos, afirmou que o ato serve para dialogar com pessoas que “não têm noção do que está acontecendo no Brasil”, destacando a luta por direitos de mulheres, negros e pessoas LGBTQIAPN+.

Mobilização em Universidades e Ameaças

Germano Almeida ressaltou que a mobilização na UEL segue o padrão de movimentos semelhantes em outras universidades públicas do país. A União Nacional dos Estudantes (UNE), por exemplo, aprovou uma resolução de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno e lançou a campanha “Estudantes com Lula”, prevendo assembleias, manifestações e ações universitárias até 24 de outubro. Atos ocorreram também na UFRGS, UFBA, UFPA e em universidades paranaenses como UTFPR, Unicentro, UFPR, UEM e Uenp.

Entre os motivos para o ato em Londrina, Almeida citou propostas atribuídas à candidatura de Flávio Bolsonaro para a educação pública, como a intenção de retirar a universidade pública da pasta do Ministério da Educação, o que ele classificou como “retrocessos e desmontes”. O estudante enfatizou que o ato não foi partidário, mas uma iniciativa dos estudantes da UEL em defesa da democracia.

A realização do evento aconteceu em meio a mensagens de hostilidade e ameaças nas redes sociais. Germano Almeida informou que uma comissão jurídica foi criada para acompanhar os casos, e a segurança da UEL foi acionada para garantir a integridade dos participantes. O Portal Bonde, do Grupo Folha de Londrina, identificou em um grupo de WhatsApp mensagens de ataques a estudantes, políticos de esquerda e ministros do Supremo Tribunal Federal, além de conteúdo xenofóbico e uma menção a um suposto ataque com bombas na UEL.

A Polícia Militar não havia recebido denúncias sobre a suposta ameaça até o momento. A UEL informou que está analisando o caso e que tomou medidas para garantir a segurança dos presentes. A Polícia Civil esteve presente no local a pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR) para assegurar a tranquilidade do evento. Durante o ato, algumas pessoas em motos e carros vaiaram os manifestantes, mas nenhuma ocorrência foi registrada até o encerramento da reportagem.