Após o resultado do primeiro turno das eleições, que o deixou atrás de Flávio Bolsonaro, o presidente Lula tem intensificado sua campanha, buscando reverter a desvantagem. As ações abrangem o Congresso Nacional, as redes sociais e manifestações populares, com o objetivo de alcançar a vitória no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Uma pesquisa Datafolha recente, divulgada nesta quinta-feira (15), mostrou uma mudança no cenário: a diferença de quatro pontos percentuais entre Lula e Flávio Bolsonaro foi reduzida para dois pontos em apenas uma semana. Atualmente, Lula registra 49% das intenções de voto contra 51% do adversário. O presidente, que busca seu quarto mandato, aposta na mobilização do eleitorado que não compareceu às urnas em 4 de outubro, que representa mais de 20%.

Medidas e Estratégias de Campanha

Na quarta-feira, o Congresso Nacional aprovou uma emenda constitucional que altera a jornada de trabalho, estabelecendo dois dias de descanso remunerado semanal, em vez de apenas um. Conhecida como PEC do fim da escala 6x1, essa medida é uma das principais propostas de campanha de Lula e beneficia cerca de 14 milhões de brasileiros. A aprovação é vista como uma vitória significativa para o presidente, especialmente por ter elevado apoio popular, levando Flávio Bolsonaro a votar a favor da proposta no Senado, após ter se posicionado contra.

Lula também anunciou outras ações, como o perdão de dívidas para microempreendedores individuais (MEIs), a ampliação do programa Pé-de-Meia para estudantes universitários e a eliminação de impostos sobre combustíveis. Outra proposta é o passe-livre no transporte público durante os fins de semana. Tais medidas, no entanto, geram debate sobre seu impacto fiscal, visto que a dívida pública do país ultrapassa 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Alguns analistas veem as ações como um “festival de benefícios” que pode configurar uma “compra indireta de votos”, dada a ausência de responsabilidade fiscal.

Reestruturação e Mobilização Popular

A campanha de Lula passou por uma reestruturação após o primeiro turno, quando o presidente admitiu que estava “desorganizada”. A estratégia agora foca na disputa do ambiente digital, tradicionalmente dominado pela direita. Para isso, a campanha incorporou jovens políticos influenciadores, como Ana Elisa, deputada federal eleita por Minas Gerais com 21 anos, que possui milhões de seguidores. Lula, inclusive, tem se autodenominado o “rei da selfie”, adotando o formato em seus vídeos de campanha e prometendo comprar um celular caso o canal de WhatsApp “Exército de Lula” atinja 5 milhões de membros, atualmente com 4,7 milhões.

Paralelamente à estratégia digital, a esquerda intensificou sua presença nas ruas, com grandes manifestações que, segundo observadores, não eram vistas há anos. Com forte participação de estudantes e movimentos sociais, os atos são marcados pela cor vermelha do PT e exploram o temor de um eventual novo governo bolsonarista, usando slogans como “Bolsonaro nunca mais” e “Pela democracia”. O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro é lembrado pela oposição por questões como as mortes durante a pandemia de covid-19 e os ataques às instituições. A rapidez e a amplitude dessas manifestações são consideradas fatores com potencial para influenciar o voto.