A corrida de rua vive expansão acelerada no Brasil. Dados da Abraceo (Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor) mostram que o país passou de 2.827 provas em 2024 para 5.241 eventos em 2025, crescimento de 85%. Motivados pela busca por saúde e qualidade de vida, cada vez mais brasileiros aderem à modalidade. Com isso, especialistas reforçam a importância de respeitar os limites do corpo durante a prática.

O médico ortopedista João Paulo Fernandes Guerreiro, docente do campus de Londrina da PUC (Pontifícia Universidade Católica), aponta que esportes como corrida, crossfit, vôlei e basquete promovem benefícios importantes: elevado gasto calórico, melhora do condicionamento físico e fortalecimento muscular. A prática exige, porém, cautela e planejamento. "Muitas vezes, os praticantes dessas modalidades se empolgam porque o sistema cardiorrespiratório adquire condicionamento antes do sistema musculoesquelético. Mesmo com fôlego de sobra, é preciso controlar a empolgação, pois as articulações nem sempre estão preparadas para acompanhar essa evolução, o que pode resultar em lesões", explica.

Sem preparo adequado, articulações como joelhos, tornozelos, quadris e até a coluna lombar sofrem sobrecarga e aumentam o risco de lesões. O especialista observa que as redes sociais também contribuem para o aumento do interesse por essas atividades, mas podem gerar expectativas irreais. "Muitas pessoas acompanham o desempenho de amigos ou influenciadores e tentam acelerar etapas do processo de adaptação física para alcançar rapidamente resultados expressivos", afirma.

Como começar com segurança

A orientação é ainda mais relevante para pessoas com sobrepeso ou que estão retomando a prática de exercícios após longos períodos de sedentarismo. Nesses casos, atividades de menor impacto — como caminhada, bicicleta ergométrica e natação — representam uma fase inicial mais segura antes da progressão para modalidades mais exigentes, como a corrida.