O linfoma não Hodgkin tipo B, doença que levou o cantor Netinho a óbito, é uma forma de câncer que se desenvolve no sangue, com origem no sistema linfático. Este sistema, composto por vasos, gânglios e órgãos como as amígdalas e o baço, desempenha um papel crucial na defesa do organismo. Ele é responsável por coletar e direcionar a linfa, um líquido claro que contém linfócitos – células de defesa essenciais para a imunidade e proteção contra infecções – de volta ao sistema circulatório.
Os linfócitos normalmente se localizam nos gânglios, também chamados de linfonodos, presentes em áreas como pescoço, axilas e virilhas. No caso do linfoma não Hodgkin, essas células de defesa sofrem mutações e se acumulam de forma desordenada nos linfonodos e em outros órgãos. Quando o acúmulo ocorre em linfócitos do tipo B, caracteriza-se o linfoma não Hodgkin, que representa 85% dos casos da doença, como o diagnosticado no cantor Netinho. Existem também subtipos menos comuns, como os linfomas de células T e os de células NK.
Subtipo raro e fatores de risco
A hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, explicou que o linfoma não Hodgkin do cantor Netinho, embora do tipo B, era um subtipo bastante raro: o linfoma plasmoblástico. Este tipo é mais frequente em pacientes imunossuprimidos e possui um prognóstico mais desafiador. Segundo a médica, é uma forma mais agressiva e de tratamento mais difícil, com menor chance de cura em comparação com outros linfomas não Hodgkin mais conhecidos.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 10.180 novos casos de linfomas não Hodgkin este ano, sendo 5.370 em homens e 4.810 em mulheres. Embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida, alguns fatores de risco estão associados à doença, incluindo idade, sexo, imunossupressão, doenças autoimunes, exposição à radiação e a certas substâncias tóxicas. Infecções virais e bacterianas, como o vírus de Epstein-Barr, HIV, HTLV e a bactéria Helicobacter pylori, também são consideradas fatores de risco.
Sintomas, diagnóstico e tratamento
Os sintomas do linfoma não Hodgkin podem variar de acordo com o subtipo e a velocidade de crescimento do câncer. Os mais comuns incluem gânglios aumentados, febre, suores noturnos intensos, perda de peso sem explicação e fadiga. Outros sinais podem surgir, como erupções cutâneas avermelhadas, náuseas, vômitos, dor abdominal, coceira, tosse, dor de cabeça e dificuldade de concentração. Em casos de formas mais agressivas, podem ocorrer dor no pescoço, braços ou abdome, dificuldade para respirar e fraqueza nos membros.
O diagnóstico é realizado por meio de exames como biópsia de linfonodos, punção de medula, raio-X, tomografia, ressonância magnética e PET-CT. O estadiamento, que define a extensão da doença e seu impacto em outros órgãos, também é fundamental. O tratamento depende do estágio do linfoma, dos sintomas e do estado geral do paciente, e pode incluir quimioterapia, radioterapia, anticorpos monoclonais, terapia-alvo com imunoterapia e transplante de células-tronco. A hematologista destaca avanços recentes, como o uso de drogas mais específicas para células tumorais e a terapia celular, que reativa o sistema imunológico para combater o câncer, incluindo novas modalidades aprovadas para pacientes que não responderam às terapias de primeira linha, como o biespecífico e a terapia CAR-T.







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