O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro declarou nesta quarta-feira (14), em Washington, nos Estados Unidos, que não planeja retornar ao Brasil após sua condenação a quatro anos e dois meses de prisão. A afirmação foi feita durante um evento em celebração à cultura hispânica, onde o ex-deputado reiterou sua defesa pela saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu não vou puxar uma cadeia sendo inocente, não”, disse Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde o ano passado. A declaração foi proferida a jornalistas em um jantar, que teve a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, e de outras figuras da direita americana e brasileira.
A condenação do ex-deputado ocorreu após Moraes determinar, na última quinta-feira (8), o cumprimento da pena imposta pelo crime de coação, praticado nos Estados Unidos com o intuito de intimidar o Judiciário brasileiro. A decisão de Moraes também incluiu o cancelamento dos passaportes de Eduardo Bolsonaro.
Durante a conversa com os jornalistas, o ex-deputado argumentou que a saída de Moraes da Suprema Corte seria crucial para um eventual governo de seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial. “Primeiro, a gente vai ter que expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes da Suprema Corte”, afirmou Eduardo Bolsonaro, acrescentando que não vê seu irmão conseguir governar com Moraes no STF.
O ex-deputado também comentou sobre a rejeição, por parte do PL, a uma tentativa de acordo com membros do Supremo, interpretando-a como um sinal positivo. Ele comemorou a recusa, mencionando: “Gostei que ele já veio rastejar atrás de um acordo e que o PL rejeitou o acordo”, em referência a Moraes.
Em meio a especulações sobre a falta de engajamento de bolsonaristas na reta final do segundo turno, Eduardo Bolsonaro expressou confiança na vitória de seu irmão, embora tenha reconhecido que a disputa não está definida. Ele enfatizou que as pesquisas eleitorais são apenas um guia e que a campanha de Flávio está trabalhando para energizar os apoiadores nas redes sociais.
Eduardo Bolsonaro manifestou a intenção de se encontrar com Milei no evento para agradecer o presidente argentino por sua postura em relação aos brasileiros condenados pelos ataques de 8 de janeiro. Além disso, a conversa abordaria uma possível aproximação entre os dois países caso Flávio Bolsonaro vença a eleição. Segundo o ex-deputado, a afinidade política entre Milei e a família Bolsonaro poderia fortalecer as relações bilaterais. “A gente vai sentar com um amigo para tomar um café, e dali vai sair benefício para os dois povos”, afirmou.
Questionado sobre um possível pedido de apoio de Donald Trump à candidatura de Flávio, Eduardo Bolsonaro negou a solicitação. Ele também voltou a acusar o governo americano de ter influenciado a eleição presidencial de 2022, citando recursos da Usaid, agência de ajuda externa dos EUA. Para ele, o cenário atual seria diferente, especialmente pela ausência de Moraes na composição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Milei critica Lula e apoia Flávio Bolsonaro
No mesmo evento em Washington, o presidente argentino Javier Milei, que foi um dos homenageados, proferiu um discurso de mais de 15 minutos, no qual se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “ditador comunista”. Milei destacou que, desde o início de seu governo, tem apoiado aqueles que se alinham ao que ele chama de “caminho da liberdade” na América Latina.
O presidente argentino citou a eleição de Daniel Noboa no Equador, Rodrigo Paz na Bolívia, Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia. Dirigindo-se a Flávio Bolsonaro, Milei expressou confiança na vitória do candidato, afirmando que ele “vai tirar esse ditador comunista Lula da Silva”. Milei também enviou uma mensagem de “amor e apoio” a Flávio e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem descreveu como “indigna e vingativamente encarcerado”.
Após o discurso de Milei, Eduardo Bolsonaro subiu ao palco, abraçou o presidente argentino e posou para fotos, enquanto Milei reiterava o objetivo de “acabar com o comunismo no Brasil”. Em sua fala, Eduardo Bolsonaro defendeu que uma eventual vitória de seu irmão poderia inaugurar uma “era de ouro da América Latina”, caracterizada pela união de governos de direita na região e uma aproximação com os Estados Unidos de Donald Trump. Ele ressaltou a importância do Escudo das Américas, uma iniciativa liderada por Trump para combater o crime organizado, e manifestou a esperança de uma cooperação sem precedentes entre os países.
O ex-deputado federal também afirmou que a eleição de Flávio seria o primeiro passo para a libertação de Jair Bolsonaro, a quem chamou de “preso político” e vítima de perseguição judicial. Comparando a situação de seu pai à de Trump, Eduardo Bolsonaro sugeriu que o ex-presidente brasileiro vive o que teria acontecido com o republicano caso ele não tivesse vencido a eleição americana de 2024.







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