Nem toda criança que tem dificuldade em aprender tem um transtorno de aprendizagem. A distinção entre os dois cenários é fundamental para pais e educadores, segundo a Profª Elizabeth Sanada, coordenadora da pós-graduação em Psicopedagogia do Singularidades. "Nem toda dificuldade escolar é um transtorno, mas todo sinal persistente merece ser observado com cuidado, sem alarmismo e sem naturalização", explica a doutora e mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano.

O critério central para diferenciar os dois cenários não é a existência isolada de uma dificuldade, mas sua persistência e recorrência em diferentes ambientes. Quando o sinal se repete em casa e na escola ao longo de semanas e não responde a ajustes simples, esse é o momento de procurar uma avaliação profissional com pediatra, psicopedagogo ou neuropsicólogo. Segundo dados do Ministério da Saúde, o TDAH afeta 7,6% das crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos no Brasil, com cerca de 11 milhões de brasileiros convivendo com o transtorno.

Diagnóstico precoce muda trajetória

Identificar e tratar um transtorno de aprendizagem nos primeiros sinais é determinante para a criança. Quanto antes a criança recebe suporte adequado, menor o impacto na autoestima e no percurso escolar. Desde 2021, a Lei nº 14.254 garante que estudantes com dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem tenham direito a acompanhamento integral pelo poder público.

A falta de dados oficiais ainda é um desafio. O Brasil não tem estatísticas consolidadas sobre esses transtornos, e as estimativas disponíveis vêm de levantamentos pontuais do setor privado. Em outubro de 2025, a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou um projeto de lei para incluir perguntas sobre TDAH e dislexia no Censo Demográfico, um avanço que pode melhorar o entendimento do problema.

A Profª Elizabeth destaca a importância da parceria entre escola e família para identificar as necessidades de cada estudante e desenvolver um plano educacional adequado, mesmo quando o diagnóstico não for imediatamente estabelecido. Essa colaboração é essencial para viabilizar a aprendizagem de crianças com diferentes necessidades.