Chocolaterias já demonstram interesse no cacau cultivado por Luiz Paulo Gnatta, em Morretes, no Litoral do Paraná. O agricultor plantou mais de 300 cacaueiros, mas apenas cerca de 25 a 30 estão em fase de produção. A maioria das árvores ainda está em crescimento, intercalada com bananeiras e outras espécies na Estação Agroflorestal Marumby. O interesse comercial surgiu antes mesmo de uma colheita em grande escala, com pedidos de chocolaterias que visam apresentar produtos de cacau de Morretes em competições na Europa.
A iniciativa para o desenvolvimento do Cacau Paraná é um esforço conjunto que inclui a Estação de Gnatta, o IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), a UFPR (Universidade Federal do Paraná), a UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) e a Macondo Chocolates Artesanais. Este projeto de pesquisa, com duração prevista de 36 meses, tem como foco a seleção de plantas, orientação de cultivo e a investigação da qualidade das amêndoas e do chocolate, com o objetivo de gerar renda para pequenos produtores.
Cacaueiros e a tradição local
A história do cacau na propriedade de Gnatta remonta a 2011, quando ele descobriu cacaueiros plantados por seu avô há mais de duas décadas. Inicialmente, o interesse familiar era na polpa do cacau, mas a produção de chocolate surgiu com a descoberta do potencial das sementes. Gnatta começou a multiplicar as plantas diretamente nas agroflorestas, utilizando sementes, e as primeiras árvores frutificaram por volta dos quatro anos. Um amigo com experiência em cacau na Bahia auxiliou no manejo, impulsionando novos plantios e investimentos na cultura. Embora a banana continue sendo o principal produto da propriedade, o cacau integra a diversidade das agroflorestas.
A parceria com a Macondo Chocolates Artesanais, da família de Fares Restrepo Guarín, acrescentou uma nova etapa ao aprendizado de Gnatta, principalmente na fermentação e secagem das amêndoas. Fares e sua família, com uma história de três gerações no chocolate, inicialmente exploraram o cacau do Vale do Ribeira paulista antes de descobrir as semelhanças com o cacau do Litoral paranaense. Eles encontraram plantações abandonadas de cacau em Morretes, que se acredita terem sido remanescentes de testes de cultivo em condições subtropicais na década de 1980.
Pesquisa e o futuro do cacau paranaense
O engenheiro agrônomo Clandio Medeiros da Silva, coordenador do programa de pesquisa em fruticultura do IDR-Paraná, explica que a escolha do Litoral para o cultivo de cacau se deve a razões agrícolas e comerciais. As condições climáticas de Morretes são semelhantes às do sul da Bahia, e a região se apresenta como um limite para o desenvolvimento do cacaueiro no Brasil. Além disso, o relevo acidentado impede grandes lavouras mecanizadas, favorecendo culturas perenes como o cacau, que se integra bem a propriedades que já cultivam banana e pupunha.
A proximidade com Curitiba, a cerca de 70 km, também é um fator estratégico, permitindo articular o cultivo no Litoral com o processamento e comercialização na capital. A meta é estabelecer uma origem de cacau com características próprias, com a expectativa de que “O chocolate do Paraná tem gosto de Paraná”. A professora Francine Lorena Cuquel, da UFPR, lidera a pesquisa pós-colheita, avaliando frutos e amêndoas para identificar as melhores matrizes para multiplicação. O objetivo final é gerar renda para pequenos agricultores, oferecendo uma alternativa de produção para o abastecimento de chocolaterias artesanais.







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