A 15ª edição da Brasil Game Show (BGS) terminou na última segunda-feira, 12 de outubro, deixando uma impressão de esvaziamento entre visitantes, expositores, jornalistas e influenciadores. Considerada a principal feira de games da América Latina, a BGS 2026 foi marcada pela redução no número de empresas participantes e pela menor oferta de atrações em relação a anos anteriores. A ausência de grandes nomes como PlayStation e Xbox, além de problemas de organização e a escassez de atividades voltadas ao público gamer, foram pontos criticados.

Apesar dessas dificuldades, a BGS 2026 conseguiu apresentar alguns jogos ainda não lançados da SEGA, Nintendo, Square Enix e Activision. Contudo, essa vantagem pode não se manter, já que criadores de conteúdo e jornalistas apontaram que os contratos com empresas como Nintendo e SEGA podem estar próximos do fim. Este cenário levou à comparação da edição atual com a BGS de uma década atrás, em 2016, para entender a mudança no perfil do evento.

BGS 2016: O auge da expansão

Em 2016, o mercado de games vivia um momento de efervescência. O PlayStation 4 liderava o setor, enquanto o Xbox One buscava recuperação. A Nintendo se preparava para o lançamento do Switch, após o desempenho modesto do Wii U, e a febre de Pokémon GO dominava o cenário global. Nesse contexto, a 7ª edição da Brasil Game Show, embora ligeiramente menor que a de 2015, se destacou pela expansão e pela mudança para o São Paulo Expo. A feira contou com estandes de PlayStation e Xbox, além de empresas como Capcom, Ubisoft, EA, Warner Games, Razer e Supercell.

A BGS 2016 foi notável por trazer lançamentos exclusivos. A Sony apresentou jogos como The Last Guardian, Horizon Zero Dawn e Detroit: Become Human aos jogadores brasileiros. A Capcom trouxe Resident Evil VII, e o Xbox exibiu títulos como Gears of War 4, Forza Horizon 3 e Halo Wars 2 antes de seus lançamentos, realizando ainda campeonatos e sorteios. A edição de 2016 foi amplamente elogiada por sua capacidade de atrair grandes lançamentos, reunir marcas importantes e consolidar sua relevância como o principal evento de games da América Latina.

BGS 2026: A decadência e os desafios atuais

Em contraste com a expansão de 2016, a BGS 2026, que ocorreu de 9 a 12 de outubro no Distrito Anhembi, apresentou um cenário oposto. Embora tenha oferecido a oportunidade de testar jogos antecipados, os títulos exibidos foram considerados mais modestos em comparação com a década anterior, com exceções como Alien: Isolation 2 e Final Fantasy VII: Revelation – este último com poucas estações de jogo. Houve uma notável ausência de marcas de tecnologia ligadas a games, como Razer, Nvidia e Samsung, muitas das quais estiveram presentes na gamescom latam 2026, evento que se tornou um rival da BGS.

A organização da Brasil Game Show parece enfrentar desafios na busca por parcerias e expositores. A presença de corredores amplos, que facilitaram a circulação, também evidenciou a falta de empresas e atividades para os visitantes. Essa retração reflete uma tendência global no setor de jogos, onde empresas preferem anunciar novidades em eventos digitais, como o The Game Awards. Embora os custos e preços em ascensão sejam um fator, outras feiras como BlizzCon, gamescom e Tokyo Game Show demonstraram capacidade de se reinventar e atrair público e marcas, oferecendo experiências que a BGS, segundo críticas, deixou de proporcionar. A principal diferença entre as edições de 2026 e 2016 reside na capacidade de atrair parcerias significativas e oferecer experiências memoráveis aos jogadores, focando em conteúdo para gamers, uma melhor disposição dos estandes e a valorização de jogos independentes e brasileiros.