A bailarina Ana Gonçalves, demi-solista do Ballet Estatal da Baviera em Munique, Alemanha, consolidou uma carreira de 20 anos de dedicação à dança, iniciada em Londrina aos três anos de idade. Atualmente com 23 anos, ela é reconhecida no cenário da dança, com uma trajetória que inspira tanto admiradores quanto profissionais experientes.

Sua jornada começou no Adanac - Centro de Dança e Artes e, aos cinco anos, transferiu-se para a FUNCART (Fundação Cultura Artística de Londrina), onde completou sua formação aos 15 anos. Em 2019, Ana recebeu uma bolsa de estudos para a Escola Estatal de Ballet de Berlim, marcando sua mudança para a Alemanha em janeiro de 2020, aos 17 anos.

Adaptação na Europa

A chegada à Alemanha representou um grande desafio para Ana, que se viu imersa em uma nova cultura e língua. Ela descreve a adaptação como a parte mais difícil de sua trajetória, lidando com a distância da família, burocracias e o que considerava a "frieza alemã". Apesar dos obstáculos, a bailarina destaca a importância do apoio familiar, especialmente da mãe e dos avós, para sua permanência e sucesso.

Ana Gonçalves ressalta que, ao escolher Berlim, levou em consideração a oportunidade de conciliar a formação artística com um bacharelado em Artes. Antes da mudança, ela concluiu o Ensino Médio no Brasil, evidenciando a preocupação de sua mãe com a formação acadêmica, além da artística.

A visão da mãe e a valorização da arte

Fernanda Moura, mãe de Ana, acompanha a trajetória da filha desde o início e compartilha as emoções de vê-la realizar seu sonho. Ela recorda a paixão e a determinação de Ana pela dança, que sempre se esforçava para superar a si mesma. Entre as lembranças mais marcantes, Fernanda cita a formatura da filha na FUNCART, onde interpretou Aurora em "A Bela Adormecida", e as apresentações profissionais na Alemanha, como "A Sagração da Primavera" e "Bella Figura".

Na Europa, Ana Gonçalves encontra uma grande valorização da arte e da cultura. Ela observa que os teatros estão frequentemente lotados, com um público diversificado que demonstra reconhecimento pela profissão. A bailarina reconhece a competitividade do balé e a necessidade de paixão e dedicação para alcançar o nível profissional.

Apesar de uma adolescência diferente, Ana se sente realizada e não trocaria suas escolhas. Sua rotina de trabalho é intensa, começando com aulas de balé e seguindo com ensaios que podem durar até 18h. Ela destaca que, mesmo com os desafios e sacrifícios, não consegue imaginar sua vida sem o balé, sentindo-se grata por viver profissionalmente de sua paixão.